Passageiros observam terminal e guichê do check-in vazios no aeroporto de Suvarnabhumi, na Tailândia | Darren Whiteside / Reuters
Passageiros observam terminal e guichê do check-in vazios no aeroporto de Suvarnabhumi, na Tailândia| Foto: Darren Whiteside / Reuters

Dez dias depois de manifestantes tomarem aeroportos em Bangcoc em protestos que agravaram a crise política na Tailândia, um grupo de 15 brasileiros ainda tenta sair do país, segundo o Ministério de Relações Exteriores. Mesmo com o fim dos protestos e a liberação dos aeroportos, as cerca de 20 pessoas que conseguiram voltar ao Brasil nesta quarta-feira (3) ainda tiveram que ir de ônibus até a base militar de Utapao - localizada a 150 quilômetros da capital - para onde foram desviados os vôos comerciais no país. Segundo a assessoria de imprensa do Itamaraty, continua válida a recomendação feita no início da crise pela embaixada em Bangcoc para que os brasileiros tenham "extrema cautela" nos deslocamentos na Tailândia.

Em sua página na internet, a embaixada lembra que, embora os manifestantes que ocuparam aeroportos em Bangcoc tenham anunciado a liberação dos terminais na quarta-feira, a operação de vôos só deve ser completamente normalizada em alguns dias. O comunicado sugere que os brasileiros que estejam na Tailândia ou que tenham viagens agendadas ao país entrem em contato antecipadamente com as companhias aéreas para confirmar a realização de seus vôos. O Itamaraty afirma que a situação dos brasileiros que ainda não conseguiram voltar para casa deve ser resolvida nos próximos dias.

Parlamento suspende sessão para escolha de novo premier

Nos últimos três dias mais de cem brasileiros saíram da Tailândia pelo aeroporto de Utapao, onde, segundo o Itamaraty, estão sendo realizadas operações para acelerar a retirada de grupos de passageiros impedidos de deixar o país. A decisão do Tribunal Constitucional tailandês de derrubar nesta terça-feira (2) o então primeiro-ministro Somchai Wongsawat prometeu amenizar a crise. Manifestantes anunciaram no dia seguinte a liberação dos aeroportos invadidos no último dia 25, mas a escolha de um novo chefe do Executivo poderá detonar novos protestos.

A sessão do Parlamento para a eleição do novo premier seria realizada na próxima segunda-feira, mas foi suspensa. A nova data ainda não foi anunciada. O Partido do Poder do Povo (PPP), legenda do premier banido, promete se reagrupar sob uma nova sigla para disputar o cargo de premier novamente.

Rei cancela pronunciamento anual por causa de dor de gargantaEm meio à situação instável, o rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej, deixou de pronunciar - pela primeira vez em décadas - seu tradicional discurso realizado anualmente na véspera de seu aniversário. Aos 80 anos, ele foi substituído por seu filho, o príncipe Varjiralongkorn, alegando que está com infecção na garganta.

Muitos tailandeses esperavam que o rei, que completa 81 anos na sexta-feira, fizesse um pedido de unidade à nação depois da crise. A Aliança Popular pela Democracia (APD), que comandou os protestos em Bangcoc, exigia maior lealdade do governo ao rei e pedia a renúncia do Executivo, acusado de fraude e corrupção.

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