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Para entender

Estudiosa judia lidera associação bíblica católica pela primeira vez na história

Representação da fé cristã na Basílica São Pedro, no Vaticano. (Foto: Robert Cheaib / Pixabay)

A Associação Bíblica Católica da América elegeu a acadêmica judia Amy-Jill Levine como sua nova presidente, marcando um feito inédito para a organização. Especialista em Antigo e Novo Testamento, Levine assume o cargo em agosto de 2026 para um mandato de um ano. A escolha sinaliza um fortalecimento no diálogo entre as religiões e na colaboração acadêmica para a interpretação das Escrituras Sagradas.

Qual é a importância da eleição de Amy-Jill Levine para este cargo?

Embora a organização aceite membros de diversos credos, a presidência costuma ser ocupada por católicos. Levine é a primeira pessoa judia a liderar o grupo e também foi a pioneira ao ensinar o Novo Testamento no Instituto Bíblico Pontifício, em Roma. Sua gestão foca em melhorar a educação bíblica em paróquias e apoiar o desenvolvimento de pesquisadores. Para ela, a nomeação foi uma grande surpresa, mas representa uma oportunidade de aplicar sua experiência acadêmica para aprimorar o trabalho da associação por meio do debate e da cooperação internacional.

Como a nova presidente concilia sua fé judia com os ensinamentos católicos?

Levine afirma que seu objetivo não é desafiar as doutrinas católicas, mas sim oferecer interpretações que ajudem a compreender a história e o contexto original dos textos. Ela defende que a visão acadêmica sobre Jesus falar aramaico e os textos originais serem em grego é compatível com a fé cristã. A estudiosa destaca que a compreensão da prática judaica da época de Jesus evita distorções sobre sua figura e seus ensinamentos. Sua atuação busca garantir que as passagens autoritativas das comunidades sejam tratadas com extremo respeito acadêmico e religioso.

Quais são os principais projetos e metas para este mandato?

O plano estratégico inclui a expansão de programas bilíngues e a produção de novos recursos didáticos para clérigos e educadores. Um ponto central da gestão de Levine é levar o conhecimento acadêmico para dentro das igrejas locais, ajudando na criação de diretrizes atualizadas para a pregação e para a formação da fé. Ela pretende ainda colaborar com o Comitê de Assuntos Ecumênicos e Inter-religiosos dos bispos americanos, buscando combater o antissemitismo e promover o respeito mútuo entre fiéis que compartilham os mesmos textos sagrados, mas os interpretam de formas variadas.

O que motivou a trajetória acadêmica da pesquisadora?

Criada em um bairro católico, Levine desenvolveu interesse pela Igreja ainda criança, mas também sofreu com o preconceito por sua origem judaica. Um episódio marcante aos sete anos, quando foi acusada por uma colega de ser responsável pela morte de Jesus, motivou-a a estudar o Novo Testamento. Hoje, ela trabalha para que as passagens bíblicas sejam pontes de amor e não ferramentas de ódio. Seus livros, como A Bíblia Com e Sem Jesus, buscam explicar a lógica de cada tradição religiosa, incentivando o reconhecimento de que Jesus estava inserido no contexto da lei e ética judaicas.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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