
O economista Jean Tirole venceu o Prêmio Nobel de Economia, anunciou ontem a Academia Sueca de Ciências. Primeiro francês a ser laureado na categoria desde 1988, Tirole se destacou pelo trabalho na área de regulação de mercados: as teorias dele ajudam governos a controlar melhor as grandes empresas, principalmente em setores onde o monopólio ocorre mais naturalmente.
O laureado tem 61 anos e leciona na Universidade de Toulouse, na França. Segundo a Academia, Jean Tirole é "um dos mais influentes economistas do nosso tempo". A entidade destaca que é comum que setores sejam dominados por poucas empresas, o que costuma gerar efeitos "socialmente indesejáveis", como preços altos demais, baseados no poder das companhias dominantes, e não nos custos do produto.
"Desde os anos 1980, Jean Tirole tem dado fôlego novo à pesquisa desse tipo de falhas do mercado. A sua análise de empresas com poder no mercado une teoria a questões de políticas, como os governos deveriam lidar com os cartéis, e como eles deveriam regular monopólios", disse a Academia, em comunicado.
Surpresa
A notícia surpreendeu o economista, que agradeceu aos amigos e dedicou o prêmio a Jean-Jacques Laffont, com quem desenvolveu o centro de estudos econômicos em Toulouse. "Ainda não me recuperei [da emoção], mas imediatamente pensei em todos aqueles que me ajudaram com minha carreira, e minha família, é claro. E em particular a pessoa que começou o trabalho aqui em Toulouse, Jean-Jacques Laffont, que morreu [em 2004] e provavelmente teria merecido estar comigo hoje recebendo o prêmio" afirmou o economista.
O trabalho de Tirole foi importante para gerar melhores práticas de regulação de mercados. As teorias ajudaram a mostrar, por exemplo, que regras simples antitruste, como estabelecer um teto de preços para monopólios, podem causar mais problemas que soluções.
Engenharia
A Academia definiu o trabalho de Jean Tirole como o de um "engenheiro". "Como um engenheiro, ele oferece as ferramentas para resolver problemas que se aplicam, independentemente das preferências políticas", disse Tore Ellingsen, presidente do comitê do prêmio, após ser perguntado se a escolha havia sido política, em um momento de crise de regulação do setor bancário na Europa. Para Aloísio Araújo, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), o Brasil pode aprender com o trabalho do laureado.
História
O prêmio de economia, oficialmente chamado de Prêmio Sveriges Riksbank de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, foi criado em 1968 e não fazia parte do grupo original de honrarias estabelecidas pelo magnata que criou a dinamite, definidas em testamento, em 1895.







