Madri – A organização separatista basca ETA (Pátria Basca e Liberdade) declarou ontem um cessar-fogo permanente a partir desta sexta-feira, pondo fim à sangrenta luta pela independência do País Basco. No documento, o grupo, considerado terrorista pela Espanha, União Européia e Estados Unidos, afirma que vai "continuar dando passos para a paz".

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O ETA chama o governo da Espanha a reconhecer os resultados de seus esforços "sem nenhum tipo de limitação". O texto, lido por três dirigentes da organização com o rosto coberto por capuz, conclui afirmando que a "superação do conflito é aqui e agora possível". Representantes de partidos políticos que defendem a independência basca deram entrevistas coletivas afirmando que a luta continua.

O primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero foi informado por agentes do Centro Nacional de Inteligência. Ele comunicou-se imediatamente por telefone com o governador do País Basco, Juan José Ibarretxe, e com o líder do oposicionista Partido Popular, Mariano Rajoy.

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Por sua vez, a vice-primeira-ministra María Teresa Fernández de la Vega classificou a notícia de "boa para todos os espanhóis", porém, com uma ressalva: "Precisamos ser mais prudentes do que nunca." A mesma postura foi tomada pelas famílias das vítimas dos atentados, que deixaram ao todo 850 mortos.

A decisão tem dois aspectos imediatos. Os espanhóis podem respirar mais aliviados. Estariam livres dos temores de atentados dos separatistas bascos. No plano político, o socialista Zapatero certamente usufruirá de grandes dividendos, incluindo o fato de ter pacificado o país e ao mesmo tempo enterrado os movimentos separatistas em solo espanhol.

Sentindo já os efeitos de um desfecho dessa natureza, Rajoy, o líder conservador, advertiu o colega socialista para um eventual prejuízo político. Rajoy perdeu as eleições de março de 2003, porque o então primeiro-ministro conservador José María Asnar tentou implicar os separatistas bascos nos atentados de 11 de março em Madri.

Uma experiência semelhante foi vivida em meados da década de 90 pelo então primeiro-ministro socialista Felipe González, que viu sua posição enfraquecida por envolvimento de ministros seus com o GAL – um esquadrão antiterrorista ilegal.