| Foto: MAHMUD HAMSAFP

O governo dos Estados Unidos anunciou na noite desta quinta-feira (30) que decidiu cancelar todo o financiamento do programa de ajuda das Nações Unidas aos refugiados palestinos. A administração Trump alegou que irá realocar os recursos para um plano de paz próprio para a região. 

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O anúncio oficial será feito nas próximas semanas, quando o governo norte-americano manifestar desaprovação da forma de atuação da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) e pedir para que esta diminua o número de palestinos reconhecidos como refugiados, caindo de 5 milhões, incluindo descendentes, para menos de 500 mil. 

A redução eliminaria o “direito de retorno” à terra disputada em Israel.

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Especialistas em política externa e segurança afirmam que o corte de verba à agência e o cancelamento de registro dos refugiados podem levar a uma piora da situação, já desastrosa, na Faixa de Gaza com aumento de violência. 

Além das contribuições para a UNRWA, os Estados Unidos prestam assistência direta à Cisjordânia e à Faixa de Gaza. Na semana passada, o Departamento de Estado anunciou que mais de US$ 200 milhões em ajuda seriam "redirecionados" para outros lugares.

Os cortes no financiamento, juntamente com mudanças na política, incluindo o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel, são parte de uma grande reformulação da política do Oriente Médio sob o presidente Donald Trump. 


Enquanto poucos na região acreditam que o direito de retorno possa ser exercido plenamente, o tema, há muito tempo, é considerado uma questão central a ser negociada em qualquer acordo de paz. O governo Trump não tem o poder de mudar unilateralmente as regras da ONU para definir quem é considerado um refugiado elegível para a ajuda da UNRWA, que agora inclui descendentes daqueles originalmente expulsos de suas terras e casas. 

A Assembleia Geral da ONU, na qual há grande simpatia pelos palestinos, aprovou o mandato e os termos da UNRWA por uma maioria massiva a cada três anos, desde que criou a agência em 1949, um ano após a criação do estado de Israel. 

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Questionamento

A resposta do governo, segundo autoridades que falaram sob condição de anonimato para falar sobre a questão delicada, é que, se as Nações Unidas querem o dinheiro, ela precisa mudar as regras da UNRWA e a maneira como opera. 

O governo se opõe a muitas questões relacionadas à UNRWA, além da definição de refugiado. "Primeiro de tudo, você está olhando para o fato de que, há um número sem fim de refugiados que continuam a receber ajuda, mas o mais importante é que os palestinos continuam a atacar os Estados Unidos", afirmou Nikki Haley, embaixadora dos EUA na ONU. 

Segundo a diplomata, funcionários da autoridade palestina querem o dinheiro da UNRWA, que paga escolas e serviços essenciais para palestinos na Cisjordânia e em Gaza, assim como na Jordânia, Síria e Líbano. 

Colaboração

O governo Trump também quer que os países da região que levantam a bandeira dos direitos dos palestinos também paguem. "Onde está a Arábia Saudita? Onde estão os Emirados Árabes Unidos? Onde está o Kuwait?”, disse Haley. "Eles não se importam o suficiente com os palestinos para dar dinheiro para garantir que essas crianças sejam atendidas?" 

Apesar de os países europeus e árabes também contribuam com quantias substanciais, os Estados Unidos são o maior doador individual da UNRWA, se comprometendo com cerca de um terço das contribuições orçamentárias e emergenciais da agência, que foram de US$ 1,1 bilhão em 2017. No início deste ano, o governo americano cortou um pagamento programado a UNRWA de US $ 130 milhões pela metade para US $ 65 milhões. De acordo com a nova decisão, esta será a última doação. 

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Atualmente, os Estados Unidos fornecem quase US $ 4 bilhões em ajuda militar em sua maioria a Israel.