
Washington - O governo dos Estados Unidos impôs sanções ao presidente da Síria, Bashar Assad, e a outros seis funcionários graduados do governo sírio, por abusos dos direitos humanos com a brutal repressão que Damasco lançou contra a oposição síria. Um funcionário público iraniano e outros nove sírios são citados nas sanções.
Foi a primeira vez que o governo dos EUA penalizou diretamente Assad pelas ações das forças de segurança da Síria. As sanções congelarão quaisquer bens e ativos do presidente sírio e das outras seis pessoas nos EUA e também proibirão que sejam feitos negócios com elas.
Ontem, a situação política na Síria pareceu se acalmar um pouco. A greve geral convocada pela oposição não se concretizou e Assad afirmou que os protestos estão acabando.
O Departamento do Tesouro do governo americano também deu passos para secar as finanças da família Assad, incluindo nas sanções três empresas controladas por Rami Makhlouf, primo do presidente sírio.
As sanções também incluem o vice-presidente Faruk al-Shara, o primeiro-ministro Adel Safar, e o ministro da Defesa iraniano Qasem Soleimani. A Guarda Revolucionária do Irã também foi citada nas sanções pelo suposto papel que tiveram ao auxiliar o governo sírio na repressão aos manifestantes.
No mês passado, os EUA impuseram sanções contra três funcionários do governo sírio, dois dos quais são parentes de Assad.
"As medidas que a administração tomou hoje [ontem] enviam uma mensagem inequívoca ao presidente Assad, à liderança síria e aos funcionários, de que eles terão que responder pela violência e a repressão que acontecem na Síria", disse David S. Cohen, subsecretário do Tesouro americano.
Discurso
O presidente dos EUA, Barack Obama, fará hoje um discurso sobre a situação política no mundo árabe e a Síria deverá ter um papel de destaque na ocasião, segundo funcionários do governo americano. Assad disse ontem que suas forças de segurança cometeram erros durante a repressão.
Greve convocada pela oposição síria fracassa nas cidades do país
Escolas, lojas e o transporte funcionavam normalmente ontem em Damasco e nas outras cidades da Síria, apesar de uma convocação de greve geral realizada pela oposição.
O presidente Assad afirmou que os protestos pelo país estão acabando.
O pedido por uma greve geral marcou uma nova estratégia dos ativistas pela democracia, por causa da brutal repressão ao regime de Assad contra manifestantes que pedem reformas políticas. A vida parecia seguir em ritmo normal na capital, Damasco, e em Alepo, bem como em outras cidades onde moradores foram contatados.
Ativistas disseram, apesar disso, que há atos de protesto programados para várias regiões mais tarde.
"Por que ousar fazer greve e arriscar perder seus negócios ou ser alvo das autoridades?", disse um empresário em Damasco, pedindo anonimato. Segundo ele, se alguém fechar as portas seria logo notado pelas autoridades e correria o risco de perder o ganha-pão.
Outro comerciante na parte velha da cidade afirmou que a greve teria pouca serventia, já que o movimento estava muito parado desde que as forças de segurança começaram a reprimir violentamente protestos pela democracia iniciados há dois meses.
Um morador da cidade costeira de Lattakia, onde ocorreram protestos contra o governo, disse que a greve geral não havia recebido apoio. "A maioria aqui nem sabe sobre isso", relatou.



