Hillary Clinton e Robert Gates usam binóculos para observar território da Coreia do Norte, em Panmunjon, do lado sul-coreano: fronteira sob tensão| Foto: Mark Wilson/AFP

Cerco

Sanções e incentivos econômicos não interromperam o programa nuclear norte-coreano.

Sanções em vigor

Nações Unidas

- Resolução 1.718 - Aprovada após o 1º teste nuclear norte-coreano, impõe restrições para a obtenção de financiamento e comércio de armas e bens de luxo.

- Resolução 1.695 - Aprovada em julho de 2006, após lançamento de míssil norte-coreano, proíbe comércio de material, tecnologia e financiamento que possam ser usados em programas de armas de destruição em massa. Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul controlam transações com o país envolvendo embarcações norte-coreanas.

- Resolução 1.874 - CS autoriza inspeção de qualquer carga que tenha a Coreia do Norte como destino ou origem, inclusive em águas internacionais.

Estados Unidos

- O país proibiu relacionamento bancário e comercial relacionado a armas comuns e nucleares, maiores instituições financeiras da Coreia estão incluídas.

- Importações vindas da Coreia do Norte precisam de aprovação.

A nova proposta

- Reforça o cerco a qualquer atividade de lavagem de dinheiro que possa estimular o programa nuclear do país e também armas comuns e bens de luxo.

Japão

- Renovadas em abril deste ano, proíbe qualquer relação comercial com a Coreia do Norte, mas não veta cidadãos desse país.

Fonte: Folhapress

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Reação

China pede calma e moderação

O governo da China manifestou preocupação com a adoção de novas sanções contra a Coreia do Norte. "Pedimos que as partes se mantenham calmas e exerçam a moderação, e não façam nada para exacerbar as tensões regionais", disse Qin Gang, porta-voz da chancelaria chinesa, em nota. Pequim é o maior aliado de Pyongyang.

Autoridades chinesas afirmaram, ainda, estar preocupadas com o exercício militar conjunto que tropas americanas e sul-coreanas planejam realizar no próximo domingo. O secretário de Defesa americano, Robert Gates, respondeu sugerindo que EUA e China deveriam retomar as relações militares.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou ontem, em visita à aliada Coreia do Sul, que o seu país imporá novas sanções unilaterais ao regime de Kim Jong-il com intuito de minar o programa nuclear norte-coreano e "desmotivar outros atos de provocação’’.

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As sanções, disse Hillary em Seul, têm como alvo a venda e compra de armas e materiais relacionados, além da aquisição de itens de luxo, usados para cooptar a elite.

O país também aumentará os esforços para "identificar, pressionar e bloquear negócios com entidades norte-coreanas envolvidas na proliferação nuclear e outras práticas ilícitas no exterior’’.

Dado o já profundo isolamento norte-coreano, analistas questio­­nam os possíveis efeitos de sanções.

Há alguns anos, foram congeladas as operações do Banco Delta Asia, onde a maioria da elite norte-coreana tinha contas. Mais tarde, o governo de George W. Bush (2001-09) concordou em liberá-las na tentativa de estimular o diálogo nuclear.

O anúncio das sanções foi acom­­panhado de uma rara visita de Hil­­lary e do secretário da Defesa, Ro­­bert Gates, à área desmilitarizada entre as Coreias, de onde se pode ver o território norte-coreano.

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Gates disse que, com a visita, queria "enviar um forte sinal ao Norte, à região e a todo o mundo de que o nosso compromisso com a segurança da Coreia do Sul é firme’’. "Nossa aliança militar nunca foi tão forte e deve ser capaz de deter qualquer potencial agressor’’, afirmou.

Naufrágio

Esse movimento de pressão sobre o Norte acontece quase quatro meses após o naufrágio do navio Cheonan, que matou 46 sul-coreanos. Seul culpa Pyongyang, que nega qualquer agressão.

Os EUA, porém, têm de pressionar Kim sem irritar a principal aliada dele, a China. Por pressão dos EUA, o Conselho de Segurança da ONU já aprovou uma condenação ao naufrágio, porém, por pressão da China, que é membro permanente, com poder de veto, não mencionou eventuais culpados.

Ontem, em declaração co­­mum, os americanos e seus homólogos sul-coreanos recordaram que "provocações militares irresponsáveis’’ são uma ameaça à frágil estabilidade na região.

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Os dois países continuam, tecnicamente, em trégua, e não em paz, desde a Guerra da Coreia, há 60 anos.