Matt Pottinger, ex-assessor de Segurança Nacional, e Sarah Matthews, ex-vice-secretária de imprensa da Casa Branca, prestaram depoimento presencialmente ao comitê que investiga a invasão| Foto: EFE/EPA/MICHAEL REYNOLDS
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Em depoimentos na noite desta quinta-feira (21) perante o Comitê da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos que investiga a invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, dois ex-assessores do ex-presidente Donald Trump (2017-2021) alegaram que os ataques dele ao então vice Mike Pence colaboraram para o tumulto na sede do Congresso americano.

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Naquele dia, Trump criticou Pence no Twitter por não se negar a certificar a vitória do democrata Joe Biden na eleição presidencial de 2020. Apoiadores do então presidente republicano invadiram o Capitólio por acreditarem na versão dele de que o pleito foi fraudado, enquanto os congressistas americanos ratificavam que Biden havia vencido.

Matt Pottinger, ex-assessor de Segurança Nacional, disse que um tweet de Trump em que chamou Pence de “covarde” foi “combustível sendo derramado no fogo” no dia da invasão.

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“Fiquei perturbado e preocupado ao ver que o presidente estava atacando o vice-presidente Pence por cumprir seu dever constitucional. Então, o tweet me pareceu o oposto do que realmente precisávamos naquele momento, que era uma desescalada”, disse Pottinger, que disse que o post de Trump foi o motivo pelo qual decidiu pedir demissão naquele dia.

A ex-vice-secretária de imprensa da Casa Branca Sarah Matthews disse que o tweet de Trump foi uma “luz verde” para os apoiadores que invadiram o Capitólio.

“Lembro-me de pensar que era ruim para ele tuítar isso porque era, em resumo, dar luz verde a essas pessoas - dizendo a elas que o que estavam fazendo nos degraus do Capitólio, entrar no Capitólio era certo, que eles estavam certos em sentir raiva", disse Matthews. “Ele deveria ter dito a essas pessoas para irem para casa e irem embora e condenado a violência que estávamos vendo.”

Além dos depoimentos presenciais na audiência desta quinta-feira, o comitê apresentou relatos de testemunhas, como Keith Kellogg, conselheiro de segurança nacional de Pence que estava com Trump naquele dia, e o chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, general Mark Milley, que apontaram que Trump não teria acionado agências e forças de segurança durante a invasão.

“Sabe, você é o comandante em chefe. Tem um ataque acontecendo no Capitólio dos Estados Unidos da América e não acontece nada? Nenhuma ligação? Nada? Zero?”, disse Milley em um vídeo reproduzido pelo comitê, no qual disse que o então presidente não entrou em contato com ele durante o tumulto.

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Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]