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O ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson (2019-2022) disse nesta sexta-feira (4) que as medidas que o presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou nesta semana a respeito das Ilhas Malvinas visam a eleição presidencial no país sul-americano em 2027.
Também afirmou que, embora não acredite que a tensão entre os dois países levará a uma nova guerra, o governo do premiê trabalhista Andy Burnham deve enviar reforços para aumentar a segurança no arquipélago.
Em sua coluna no jornal Daily Mail, Johnson fez referência a uma declaração do presidente americano, Donald Trump, sobre a possibilidade de reavaliar a posição dos EUA sobre a disputa de Argentina e Reino Unido pelas Malvinas, que atualmente é de neutralidade, mas reconhecendo o controle britânico sobre as ilhas.
Tal declaração fez Milei anunciar na quinta-feira (3) que vai aplicar sanções a empresas que explorarem recursos naturais nas Malvinas e construir uma base naval integrada na província da Terra do Fogo, dentro de cujo território a Argentina considera que o arquipélago está.
“Quando [o antecessor de Burnham, Keir] Starmer se recusou a ajudar Trump a abrir o Estreito de Ormuz, ele provocou grande irritação na Casa Branca. Não foi nenhuma surpresa que Trump tenha decidido, então, colocar em dúvida seu compromisso com a soberania do Reino Unido sobre as Malvinas — especialmente se lembrarmos quanto tempo [Ronald] Reagan realmente levou, em 1982, para apoiar [Margaret] Thatcher”, disse Johnson.
“Não é de se estranhar que Javier Milei, o presidente argentino, tenha aproveitado o momento para intensificar sua retórica e adotar um tom muito mais assertivo quanto à reivindicação do seu país sobre as ilhas”, escreveu o ex-premiê conservador.
“Milei é anglófilo e adepto do thatcherismo. Não acredito, nem por um segundo, que ele queira um confronto com o Reino Unido por causa dessa questão. No entanto, ele também enfrenta uma campanha de reeleição difícil e pode achar necessário inflamar o sentimento público da maneira nacionalista tradicional”, acrescentou Johnson.
A disputa pelo arquipélago no Atlântico Sul motivou uma guerra entre Argentina e Reino Unido em 1982, vencida pelos britânicos.
Antes da escalada de quinta-feira, Buenos Aires vinha mantendo diplomaticamente e em organismos internacionais a reivindicação de soberania sobre as Malvinas, embora a incorporação pela Argentina seja rejeitada pela população local: em um referendo realizado em 2013 com habitantes do arquipélago, 99,8% dos moradores disseram que preferiam que as ilhas mantivessem o status de território ultramarino britânico.
Na mira do presidente argentino, está o projeto Sea Lion, para a exploração de uma reserva de petróleo localizada 220 km ao norte do arquipélago.
O projeto, que deve começar a extrair petróleo em 2028, é desenvolvido pela empresa britânica Rockhopper e pela israelense Navitas.
Na sexta-feira, em resposta a Milei, o governo Burnham disse, por meio de um porta-voz, que as forças necessárias para defender a “soberania” das ilhas “permanecerão lá enquanto os habitantes das ilhas assim o desejarem”.
“Nossas forças armadas estão de prontidão 24 horas por dia, sete dias por semana, para proteger o Reino Unido e os nossos interesses”, acrescentou o porta-voz.
Na coluna desta sexta-feira, Johnson afirmou que “Burnham precisa assumir o controle desse problema, e rapidamente”.
“Ele precisa afirmar com firmeza que as Falklands [nome que Londres usa para se referir ao arquipélago] são britânicas e que não tolerará provocações em relação aos campos de petróleo de Sea Lion. Acima de tudo, precisa demonstrar a realidade prática desse compromisso enviando reforços agora”, cobrou o ex-primeiro-ministro.
“Pode-se dizer que tudo isso é muito barulho por nada e que ninguém na Argentina seria louco a ponto de provocar outro conflito inútil e desastroso, tendo tão poucas chances de sucesso. Você pode até ter razão, mas foi exatamente isso que o Foreign Office [ministério das Relações Exteriores britânico] pensou em 1982”, escreveu Johnson.







