
O rei Felipe VI, de 46 anos, foi coroado ontem com um discurso de "renovação" e de "unidade" no país, em uma celebração à prova de protestos contra a família real.
Com a proibição judicial de uso de símbolos e manifestações pró-república, o clima em Madri foi festivo e favorável ao novo rei.
Ele "jogou em casa", sem torcida adversária, apesar do baixo público em grande parte das avenidas por onde ele e a rainha Letizia passearam num luxuoso Rolls Royce, sob escolta da guarda real.
O discurso no Congresso foi sóbrio, em tom pela "unidade", falando em mudança: "Encarno uma monarquia renovada para novos tempos".
Estabeleceu como "prioridade" a recuperação da economia, cuja fragilidade desgastou a monarquia. "Temos também a obrigação de transmitir uma mensagem de esperança, especialmente aos mais jovens, para a solução de problemas, e, em particular, para a obtenção de emprego."
O pai de Felipe VI, o rei Juan Carlos, de 76 anos, que abdicou do trono, foi discreto. Na companhia na rainha Sofia, surgiu ao lado do filho por alguns minutos na varanda do Palácio Real para saudar as centenas de pessoas que, sob um calor de 30ºC, queriam ver um aceno. Apesar da abdicação, Juan Carlos continuará com o título de rei.
Um dos seu principais desafios será enfrentar o referendo, não reconhecido pelo governo espanhol, de independência da Catalunha, marcado para novembro.
"Quero reafirmar, como rei, minha esperança na unidade da Espanha", disse.
O novo casal real recebeu 2 mil convidados para um coquetel no palácio.
O dia
Monarquistas celebram o novo rei, apesar de protesto pró-república
Depois do aparato que impediu manifestações durante a coroação de Felipe VI, 200 manifestantes pró-república entraram em rápido confronto com a polícia, no centro de Madri.
Ao menos cinco pessoas foram detidas, somando-se a outras três presas antes por tentar algum tipo de protesto antimonárquico durante o percurso do Rolls Royce real.
Enquanto isso, a Praça do Oriente, em frente ao Palácio Real, virou uma grande arquibancada pró-realeza, como queriam as autoridades locais. "Que esse rei dure muitos anos, porque não quero mais passar esse calor esperando um aceno dele", dizia ao pai o jovem Miguel Muñoz, de 15 anos, vindo de Córdoba (Andaluzia) para a coroação.
"Somos monarquistas, e é uma vez na vida que temos a chance de ver o rei de perto. Não creio que o movimento pró-república prospere, não faz sentido para a Espanha", diz o pai de Miguel, José, de 43 anos.
Havia de tudo: jovens, imigrantes e gente mais velha, que viveu a ditadura de Francisco Franco (1939-1975), anterior ao reinado de Juan Carlos.



