O advogado do ex-presidente peruano Alberto Fujimori garantiu na madrugada desta sexta-feira que Fujimori não fugirá do Chile e nem utilizará o país como uma plataforma política.
Fujimori foi libertado na tarde de quinta-feira mediante pagamento de uma fiança de cerca de US$ 3 mil. Ele estava detido em Santiago havia seis meses.
O ex-presidente -- alvo de tentativas de extradição do Peru, que quer julgá-lo por violações aos direitos humanos e corrupção -- saiu da Escola de Gendarmeria de Santiago em meio a empurrões e dezenas de perguntas dos jornalistas.
Em Lima centenas de pessoas protestaram em frente à embaixada chilena, exigindo que o ex-presidente seja mandado de volta ao Peru. "Chile, vizinho, devolva o assassino!", gritavam os manifestantes.
O governo de Lima e a mídia peruana especularam sobre a possibilidade de Fujimori escapar do Chile ou de pedir asilo na embaixada do Japão em Santiago.
- Isso não é verdade. Não vejo como ele poderia pedir asilo ao Japão, já que abandonou esse país voluntariamente para enfrentar a justiça no Chile - disse o advogado de defesa Gabriel Zaliasnik à emissora estatal TVN.
Fujimori, de terno cinza com listras brancas, exibiu um largo sorriso ao sair da prisão e entrar no carro, rumo à casa alugada por seus advogados num bairro reservado de Santiago.
- Senhores, obviamente estou satisfeito e contente com a decisão do tribunal - disse Fujimori aos repórteres. - Estou saindo da Escola de Gendarmeria, como podem ver, nas mesmas condições em que cheguei (...) Eu me considero inocente e tenho confiança na justiça chilena.
Fujimori foi preso no dia 7 de novembro, horas após sua chegada surpresa a Santiago.
A Suprema Corte do Chile concedeu a Fujimori a liberdade provisória, mas proibiu que ele deixe o país. No tribunal, quatro magistrados votaram a favor da libertação, contra um voto contra.
"A liberdade do réu (Fujimori) não representa um perigo para a sociedade... e não prejudicará as investigações pendentes", afirmou o veredicto.
A liberação de Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, foi um balde de água fria para o governo de Lima, que se prepara para eleger seu presidente no segundo turno das eleições, dentro de pouco mais de duas semanas.
Os candidatos peruanos Alan García e Ollanta Humala pediram que não se faça uso político da decisão judicial chilena.
- Não quero mandar nenhuma mensagem que possa influenciar o segundo turno de meu país - disse Fujimori ao chegar a sua nova residência em Santiago, onde sua filha Sachi o aguardava.
As autoridades peruanas disseram que a liberdade de Fujimori -- que, após o fim de seu governo devido a um escândalo de corrupção fugiu para o Japão -- não vai interromper o seu processo de extradição.
O Peru pediu ao Chile no início de janeiro a extradição do ex-presidente de 67 anos, alegando o envolvimento de Fujimori em 12 acusações de irregularidades durante seu mandato.







