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O apoio tácito do governo Bush à ação militar israelense contra o Líbano pode aumentar o risco de uma retaliação de militantes contra o território dos EUA ou contra alvos americanos no exterior, segundo alguns especialistas.

Autoridades dos EUA e da Europa reforçaram nos últimos dias a vigilância contra grupos como o Hezbollah, que, segundo especialistas, tem células em todos os continentes habitados, exceto a Oceania.

Para alguns outros especialistas, a ofensiva israelense contra o Hezbollah pode ter produzido um efeito colateral, o de maior apoio ao grupo entre árabes e muçulmanos moderados.

A recusa do governo Bush em propor um cessar-fogo também irrita muitos árabes, num momento em que os bombardeios ao Líbano matam grande número de civis, segundo esses especialistas. Washington diz apoiar esforços de longo prazo contra o terrorismo na região.

Uma autoridade européia disse ser sabido que as hostilidades do Oriente Médio são capazes de se tornarem um fator de motivação para grupos sunitas que se inspiram na Al Qaeda, ou seja, que normalmente não gostam do Hezbollah, mas que podem tentar explorar o ultraje sentido pelos árabes.

- Mesmo a própria Al Qaeda pode estar pronta para um ataque, e pode escolher usá-lo agora - disse Michael Scheuer, ex-funcionário da CIA encarregado de monitorar Osama Bin Laden.

Mas Peter Brookes, da entidade conservadora Heritage Foundation, considera que a crise do Oriente Médio não afeta diretamente os EUA.

- Sempre fomos um alvo, e o Hezbollah já tem sangue americano nas suas mãos - disse Brookes.

Mas alguns ex-agentes de inteligência são peremptórios a respeito da ameaça.

- Haverá vinganças - disse um ex-funcionário dos EUA, que permanece atualizado sobre as estratégias de contra-terrorismo.

- A preocupação agora é de que há uma crescente animosidade que será explorada, não só pelo Hezbollah - disse essa fonte, sob anonimato. - E também há pessoas que estão sendo levadas ao limite pelo que está acontecendo, não necessariamente membros de algum grupo, mas que podem atacar.

O Hezbollah participou de vários ataques a alvos dos EUA nas décadas de 1980 e 1990. Em 1983, um atentado contra um quartel matou 241 militares americanos.

Mas autoridades de inteligência acreditam que o grupo suspendeu as hostilidades contra os EUA na década de 1990. Não há atualmente sinais de um ataque iminente ou de que o grupo tenha alterado sua política, segundo as autoridades.

- Dito isso, não se pode descartar , e as pessoas não estão descartando - disse um agente dos EUA.

O Hezbollah tradicionalmente apóia os grupos palestinos. Em 2004, a guerrilha fechou um acordo com o Hamas para cometerem ataques conjuntos contra Israel, segundo o Departamento de Estado dos EUA.

Para Scheuer, esta seria uma oportunidade extraordinária para a Al Qaeda se firmar como "paladino do povo palestino".

Na opinião de um outro funcionário, "é hora de se preparar para um ataque terrorista, e estamos acompanhando atentamente".

- Até agora, ninguém viu nada, mas não é provável que muita coisa seja vista se o ataque for planejado por profissionais - acrescentou.

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