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Nova York

Guerra comercial de Trump com o Canadá ameaça agenda socialista de Mamdani

Parceria comercial significativa do Canadá com a cidade de Nova York pode ser diretamente impactada por nova crise entre os governos federais canadense e americano (Foto: EFE/EPA/SARAH YENESEL)

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O prefeito socialista de Nova York, Zohran Mamdani, está prestes a se tornar uma das primeiras "vítimas" da guerra comercial entre os governos de Donald Trump e do primeiro-ministro canadense Mark Carney.

Isso porque, em um cenário de embate econômico nacional, a relação comercial entre dois governos tende a sofrer baixas, prejudicando indiretamente a agenda progressista do governante nova-iorquino, que prometeu em sua campanha pesados investimentos em programas sociais e de assistência.

Um dos primeiros impactos está associado às políticas de Mamdani voltadas para habitação pública e infraestrutura urbana. A guerra tarifária de Trump prevê maiores custos à importação de commodities canadenses, como o aço e o alumínio, o que irá encarecer drasticamente os custos de construção dentro dos EUA e, consequentemente, afetará a cidade de Nova York.

Analistas apontam à Gazeta do Povo outros prejuízos à agenda socialista do governante municipal. O economista Igor Lucena, doutor em Relações Internacionais, relembra que a cidade de Nova York importa bilhões de dólares em produtos e serviços do Canadá, país com o qual faz fronteira.

"A partir do momento em que o presidente Donald Trump cria uma guerra comercial e o Canadá revida, muitos produtos que Nova York importa - falamos aqui de energia, de alimentos, mais de US$ 20 bilhões importados por ano - ficam mais caros e colocam em xeque as políticas de subsídio que estão sendo apresentadas pelo prefeito", explica o economista.

Lucena cita como exemplo as mercearias públicas, uma das principais políticas alimentares anunciadas por Mamdani com o objetivo de frear a inflação e garantir o acesso a alimentos básicos de qualidade para famílias de baixa renda, e o aumento de impostos, que provocou um êxodo populacional de nova-iorquinos.

"Tudo isso fica mais caro em um momento em que Nova York precisaria de mais dinheiro para financiar essas políticas. Essa situação leva a cidade a buscar mais dinheiro do estado, o que complica cada vez mais a situação", acrescenta.

Por sua vez, o analista Márcio Coimbra, CEO da Casa Política, vê impactos indiretos na agenda socialista de Mamdani com a guerra comercial, apesar de avaliar que o desgaste econômico com o Canadá funcionaria como um freio para a agenda do democrata sem, contudo, paralisá-la.

"O motor desse impacto seria o garrote fiscal que o enfraquecimento do turismo e dos negócios transfronteiriços causaria nas finanças do estado de Nova York. Como o Canadá é o principal emissor internacional de visitantes e um parceiro comercial vital, a queda nas viagens de negócios e no consumo corrói a arrecadação de impostos sobre vendas, serviços e ocupação hoteleira", diz Coimbra.

Como consequência, segundo o analista, uma receita estadual mais enxuta afetaria diretamente a prefeitura, pois as propostas mais ambiciosas do socialista, como a expansão do transporte público gratuito e os grandes aportes em habitação social, dependem do aval orçamentário e do cofinanciamento do governo estadual.

Relembre a guerra comercial

No final de agosto, o presidente Donald Trump anunciou uma escalada comercial com o Canadá, com uma tarifa de 50% sobre automóveis e peças que entrará em vigor a partir do ano que vem.

A medida foi anunciada depois que os dois países não chegaram a um acordo e novas tarifas americanas de 50% sobre determinados produtos canadenses passaram a valer naquele mesmo mês. Os impostos devem afetar cerca de 5% das exportações anuais do Canadá para os EUA, abrangendo produtos como vinho, tacos de hóquei, cimento, produtos de papel e têxteis.

Em resposta, o Canadá prometeu revidar “dólar por dólar” a partir do dia 8, aplicando taxas que variam de 15% a 50% sobre cerca de 28 bilhões de dólares canadenses (aproximadamente US$ 20 bilhões) em produtos importados dos EUA. A lista inclui aço, laticínios, eletrodomésticos e uma série de outras mercadorias.

Trump acusou o país vizinho de “se aproveitar dos EUA no comércio há muito tempo”. Em relação à questão econômica, ele destacou que Washington vem defendendo o Canadá "de graça".

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