Publicidade
Hasan Piker

Influenciador de esquerda diz que judeus nos EUA podem sofrer violência por apoio a Israel

influenciador esquerda judeus eua
O influenciador de esquerda Hasan Piker durante ato na Pensilvânia, nos EUA. (Foto: Morgan.rice.bassline.design/Wikimedia Commons)

Ouça este conteúdo

O influenciador de esquerda Hasan Piker, conhecido por defender pautas socialistas e por apoiar candidatos da ala socialista do Partido Democrata, afirmou que judeus nos Estados Unidos podem acabar sendo vítimas de atos violentos caso continuem apoiando Israel. A declaração criou mal-estar dentro do próprio Partido Democrata e colocou na mira de críticas candidatos da legenda que já apareceram ao lado do comentarista.

Piker, de 35 anos, é conhecido nos EUA por realizar transmissões diárias na plataforma de streaming Twitch, onde possui cerca de 3 milhões de seguidores. Segundo a AFP, ele se define como “socialista” e “anti-imperialista” e costuma dedicar parte de suas transmissões a críticas contra Israel.

Piker fez a declaração sobre os judeus durante uma de suas transmissões na Twitch, realizada no último dia 20 de agosto. Na ocasião, o influenciador disse que, se judeus que moram nos Estados Unidos continuarem demonstrando apoio a Israel, “eventualmente alguém vai agir” não contra o Estado israelense, mas contra judeus americanos.

Após a fala de Piker, que já fez campanha ao lado de candidatos democratas socialistas como Abdul El-Sayed (que disputa uma vaga ao Senado dos EUA pela legenda), o líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, classificou os comentários como “perigosos, maliciosos e antissemitas” e afirmou que esse tipo de discurso não deveria ser tolerado no debate público. Por sua vez, a senadora democrata Elissa Slotkin, de Michigan, também condenou as declarações. Segundo ela, nenhuma comunidade deveria enfrentar ameaça de violência por causa de suas posições políticas.

Outros nomes do partido, como o senador Cory Booker e o presidente do Comitê Nacional Democrata, Ken Martin, também se manifestaram contra a fala de Piker. Martin afirmou que judeus americanos não devem ser responsabilizados pelo ódio, por ameaças ou pela violência direcionada contra eles e classificou esse tipo de retórica como perigoso e antissemita. 

O episódio criou novos problemas para a campanha de Abdul El-Sayed, que é candidato democrata ao Senado por Michigan. Piker já participou de eventos de campanha ao lado dele, mas El-Sayed passou a tentar se distanciar do influenciador após a repercussão negativa da fala feita na transmissão. Em evento realizado recentemente, o candidato democrata afirmou que Piker não fala em seu nome nem em nome de sua campanha e condenou o antissemitismo.

A associação entre Piker e candidatos democratas vinha sendo vista de forma positiva por setores da ala socialista do partido até recentemente. Piker rejeitou as acusações de antissemitismo e afirmou que está sendo alvo de uma “campanha coordenada de difamação” e de "islamofobia". Ele disse ainda que combate o antissemitismo há anos e sustentou que seus comentários buscavam separar "judaísmo e sionismo". O influenciador já havia provocado outras polêmicas no passado. Segundo a imprensa americana, em 2019, Piker chegou a declarar que os Estados Unidos “mereceram” serem alvos dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, comentário do qual depois pediu desculpas.

Segundo a AFP, dirigentes democratas temem que a polêmica envolvendo Piker desvie o foco das críticas ao governo do presidente Donald Trump e passe a ser explorada pelos republicanos durante a campanha eleitoral das eleições de meio de mandato de novembro.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.