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Técnico iraniano trabalha nas Instalações de Conversão de Urânio de Isfahan (UCF), a 420 km ao sul de Teerã, em 2007. Foto de arquivo | BEHROUZ MEHRIAFP
Técnico iraniano trabalha nas Instalações de Conversão de Urânio de Isfahan (UCF), a 420 km ao sul de Teerã, em 2007. Foto de arquivo| Foto: BEHROUZ MEHRIAFP

O governo iraniano anunciou nesta terça-feira (5) que vai aumentar a capacidade de enriquecimento de urânio com mais centrífugas, mas que manterá a produção dentro dos limites estabelecidos no acordo nuclear. 

O porta-voz da agência nuclear iraniana, Behrouz Kamalvandi, confirmou a medida e disse que o país enviou uma carta à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada a ONU, com os detalhes da ação. 

Segundo ele, o país está trabalhando para aumentar sua capacidade de produção dos gases UF4 e UF6 e na produção de rotores para centrífugas avançadas.

São essas centrífugas de alta velocidade que conseguem converter esses gases em urânio enriquecido, que pode ser usado para a produção de energia e na área médica. 

Para o uso em armas nucleares, é preciso de um nível de enriquecimento de urânio em torno de de 90%. Por isso, o acordo nuclear que o país assinou com potências internacionais estabelece o teto de 3,67% -antes do pacto, o país conseguia atingir o patamar de 20%. 

"Se as condições permitirem, pode ser que amanhã, em Natanz [região central do país], possamos declarar a abertura do centro de produção de novas centrífugas", afirmou o vice-presidente Ali Akbar Salehi, que comanda o programa nuclear iraniano. 

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Novas centrífugas “não violam” acordo, segundo Irã

Segundo ele, porém, a produção de novas centrífugas não significa que elas serão usadas imediatamente. Ele voltou a dizer que o programa nuclear do país tem fins apenas para uso civil e que as ações anunciadas nesta terça "não violam" o acordo. "Também não quer dizer que fracassaram as negociações coma Europa", completou.

Após o presidente americano, Donald Trump, anunciar em 8 de maio que seu país deixaria o acordo, Teerã passou a negociar com Reino Unido, França e Alemanha as condições para permanecer no pacto - além deles, China e Rússia também fazem parte do tratado. 

Pelo acordo, assinado em 2015, o Irã aceitou uma série de limitações a seu programa nuclear, incluindo uma fiscalização da AIEA, em troca do fim de diversas sanções contra o país.

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Por isso, a decisão americana de deixar o acordo e retomar as sanções ameaça o pacto, já que Teerã perderia parte das vantagens econômicas conquistadas. Isso levou a nova rodada de negociações do país com os europeus, em busca de formas de diminuir o impacto da saída dos EUA. 

Na segunda (4), o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse ter ordenado às autoridades que se preparassem para aumentar a capacidade de enriquecimento de urânio caso o acordo nuclear seja desfeito. Assim, o anúncio desta terça foi interpretado como um avanço neste sentido e como um aviso aos europeus de que o país irá enriquecer urânio rapidamente caso não tenha suas demandas atendidas. 

Reação de Israel

As novas medidas não foram bem recebidas por Israel, um dos principais críticos do acordo nuclear. 

O premiê Binyamin Netanyahu, atualmente em viagem pela Europa em uma tentativa de convencer os países da região a saírem do pacto, afirmou que não ficou surpreso com o anúncio e que não vai permitir que Teerã tenha armas nucleares. 

O ministro israelense da Inteligência, Yisrael Katz, foi além e pediu a formação de uma coalizão militar contra o Irã caso o país deixe o acordo internacional.

"Seria necessária uma tomada de posição do presidente dos Estados Unidos e de toda a coalizão ocidental - na qual estariam sem dúvida os árabes e Israel - para deixar claro que se os iranianos voltarem [a enriquecer urânio com fins militares], se formará uma coalizão militar contra eles", afirmou.

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