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Proposta feita pelo governo francês interromperia os ataques de Israel por 48 horas. Líderes israelenses devem se reunir para analisar o plano | Suhaib Salem / Reuters
Proposta feita pelo governo francês interromperia os ataques de Israel por 48 horas. Líderes israelenses devem se reunir para analisar o plano| Foto: Suhaib Salem / Reuters

Entenda o conflito na Faixa de Gaza

O bombardeio dos últimos três dias sobre a Faixa de Gaza foi um final violento para a trégua mal-sucedida dos últimos seis meses entre inimigos irreconciliáveis - o grupo palestino Hamas e o governo de Israel.Leia a matéria Completa

O governo de Israel deve avaliar ainda nesta terça-feira (30) uma proposta feita pela França para um cessar-fogo temporário de 48 horas na Faixa de Gaza, segundo fontes diplomáticas citadas pela France Presse, pela Associated Press e por jornais israelenses. O premiê Ehud Olmert, a chanceler Tzipi Livni e o ministro da Defesa, Ehud Barak, devem se reunir para avaliar o plano, apresentado pelo chanceler francês, Bernard Kouchner, depois que quatro dias de bombardeios mataram pelo menos 368 pessoas no território palestino controlado pelo grupo Hamas.

Mark Regev, porta-voz do premiê, disse que o país quer colaborar com a França e a comunidade internacional para facilitar a chegada de ajuda humanitária a Gaza, mas foi evasivo quanto à proposta de trégua. Segundo ele, é importante "manter a pressão" sobre o Hamas até interromper os ataques com foguetes a território israelense.

"Primeira fase"

Mais cedo, Olmert havia dito que a ofensiva militar de Israel contra Gaza estava apenas em sua "primeira fase entre várias" já aprovadas pelo gabinete de segurança. A declaração foi feita durante encontro com o presidente do país, Shimon Peres.

A porta-voz militar Avital Leibovitz disse que as forças terrestres israelenses posicionadas ao longo da fronteira estão prontas para atuar contra o movimento islâmico Hamas, que controla a região palestina. Mas ele não precisou quando a ação vai começar.

A seis semanas de uma eleição para a qual as pesquisas sugerem que o partido Likud, de direita, é o favorito, o governo de centro diz que os ataques visam colocar um fim aos ataques com foguetes.

Segundo balanço fornecido por Muawiya Hasanein, responsável pelos serviços de emergência na Faixa de Gaza, os ataques aéreos israelenses, iniciados sábado, deixaram ao menos 368 mortos e 1.700 feridos. Entre os mortos, há 39 crianças e 13 mulheres.

Os hospitais estão superlotados, e a situação humanitária é caótica, segundo a Cruz Vermelha Internacional.

Israel permitiu que caminhões com ajuda humanitária entrassem em Gaza nesta terça, informou uma fonte militar. Os EUA anunciaram que vão doar US$ 85 milhões para a agência da ONU que ajuda os refugiados palestinos na Cisjordânia e em Gaza.

Mais ataques

Os pesados bombardeios Israelenses contra a região dominada pelo Hamas, iniciados no sábado, seguiram pela madrugada e pela manhã desta terça-feira

Os militantes islâmicos, por seu lado, não pararam de lançar foguetes contra o território israelense. Um porta-voz do movimento disse que os militantes vão lançar foguetes com maior alcance no território israelense se Israel prosseguir os ataques.

Duas irmãs palestinas de 4 e 11 anos morreram em um bombardeio israelense, informaram fontes médicas palestinas. Lama e Haya Hamdan faleceram quando um carro puxado por uma mula foi atingido em um ataque em Beit Hanun, norte do território.

Na região de Khan Yunes, sul da Faixa de Gaza, um palestino morreu e dois ficaram feridos em um ataque aéreo contra um posto policial do Hamas.

No mesmo período, quatro pessoas -três civis e um soldado- morreram em Israel pelos disparos de foguetes palestinos. Pelo menos 20 foguetes caíram nesta terça na cidade israelense de Sderot (sul). Uma pessoa ficou ferida.

O porta-voz do Hamas Fawzi Barhoum pediu que grupos palestinos respondam usando "todos os meios disponíveis" contra Israel, incluindo "operações de martírio", significando atentados suicidas. Ataque terrestre iminente

Na segunda-feira, a área de fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza foi declarada "zona militar fechada" pelo Exército de Israel, informou um porta-voz militar israelense.

Com isso, as estradas de uma área distante entre 2 km e 4 km da fronteira ficam fechadas para os civis que não tenham salvo-condutos militares, e só moradores da região podem transitar por lá. Jornalistas também são banidos.

A justificativa é que militantes palestinos podem retaliar, lançando foguetes, os ataques israelenses ao território ocorridos desde sábado.

Esse tipo de medida costuma prenunciar o lançamento de operações terrestres. O Exército de Israel concentra tropas na fronteira desde o início da ofensiva aérea.

"Guerra sem trégua"

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse ao Parlamento na segunda que Israel está comprometida em uma guerra "sem trégua" contra o Hamas na Faixa de Gaza.

"Não temos nada contra os habitantes de Gaza, mas estamos comprometidos em uma guerra total contra o Hamas e seus aliados", disse Barak.

"A contenção que temos observado é uma fonte de força. Lutamos com uma vantagem moral. Eles disparam contra civis deliberadamente. Nós encurralamos os terroristas e evitamos, na medida do possível, atingir civis quando a gente do Hamas atua e se esconde intencionalmente em meio à população", acrescentou.

Já o negociador chefe palestino, Ahmed Qurie, disse que o processo de paz patrocinado pelos EUA está suspenso por causa das ofensivas em Gaza. "Não há negociações e não há maneira de haver negociações enquanto estivermos sendo atacados", disse a jornalistas.

A operação "Chumbo endurecido" é a mais violenta pelo menos desde a ocupação israelense dos territórios palestinos, em 1967.

A tensão cresce na região desde o fim, em 19 de dezembro, da trégua de seis meses entre Israel e o Hamas na região. O frágil cessar-fogo foi rompido unilateralmente pelo Hamas. Nos dias seguintes, houve ataques com foguetes palestinos a Israel, seguidos de ameaças de reação israelense, até o ataque iniciado no dia 27.

Pressão internacional

A Casa Branca voltou a dizer na segunda-feira que o Hamas precisa parar de lançar foguetes contra Israel e concordar com um cessar-fogo "duradouro" com Israel.

Os EUA também se disseram preocupados com a situação humanitária na região e pediram que "todas as partes" envolvidas no conflito permitam a entrada de ajuda.

A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, conversou por telefone com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e outros líderes mundiais para restaurar o cessar-fogo na região, segundo o Departamento de Estado.

Na ONU, uma declaração não vinculante, sem o mesmo peso de uma resolução, pediu no sábado "o cessar imediato de toda violência" e, às duas partes, que "interrompam imediatamente todas as atividades militares".

O comunicado, um raro exemplo de unidade sobre o tema de Gaza, foi aprovado após cinco horas de consultas a portas fechadas, a pedido da Líbia, único membro árabe do Conselho, mas não menciona diretamente Israel, nem o Hamas.

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, monitora a situação na Faixa de Gaza, informou uma porta-voz no Havaí, onde o futuro chefe de Estado americano passa as festas de fim de ano.

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