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Soldados israelenses encontraram em Ramallah, o corpo do colono judeu Eliyahu Asheri, de 18 anos, que fora seqüestrado no último domingo pelo grupo extremista palestino Comitê de Resistência Popular, informaram na noite desta quarta-feira fontes de segurança palestinas.

O estudante, morador do assentamento judaico de Itamar, foi visto pela última vez tentando pegar uma carona perto de Beitar. O corpo do jovem foi encontrado enquanto veículos blindados israelenses avançavam sobre o norte da Faixa de Gaza, intensificando a ofensiva militar aos territórios palestinos, iniciada na noite de terça-feira, com o objetivo de libertar o soldado Gilad Shalit, feito refém no último fim-de-semana.

Na Cisjordânia, o Exército israelense deteve nesta madrugada 87 ativistas palestinos do Hamas (grupo que controla o governo palestino), entre eles dez ministros e 20 deputados, assim como 23 extremistas da Jihad Islâmica na Cisjordânia ocupada, informaram nesta quinta-feira fontes da segurança. As detenções foram feitas por efetivos de Israel em Ramallah, Hebron, Jenin, Kalquilia e Jerusalém Oriental.

O ministro de Segurança Interior de Israel, Roni Barón, disse nesta quinta-feira que as personalidades do Movimento Islâmico Hamas detidas serão investigadas e eventualmente julgadas se surgirem suspeitas de que estão vinculadas com atividades terroristas.

- A mão de Israel também alcançará o primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina, Ismail Haniye - declarou Barón à rádio pública.

Entre os detidos estão os prefeitos das cidades de Jenin e Kalkilia. Não foram presos o vice-primeiro-ministro Naser e-Din a-Shaer nem o presidente do Conselho Legislativo, Aziz Dueik, asseguraram fontes palestinas.

Em outra ação, as forças israelenses estabeleceram um posto de observação num aeroporto desativado no sul de Gaza, enquanto militantes palestinos se entrincheiravam em Rafah à espera de uma investida.

O norte do território foi bombardeado pela artilharia israelense, sob a alegação de que o Exército estava calibrando sua pontaria. Também houve disparos de mísseis por aviões contra a área, sem a ocorrência de vítimas, contra um campo de treinamento do Hamas no sul e a Universidade Islâmica de Gaza.

Em Ramallah, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, tachou de "crime contra a Humanidade" o bombardeio da estação de energia em Gaza, na noite de teça-feira, que deixou 700 mil pessoas - cerca de metade da população do território - sem eletricidade, afetando também o abastecimento de água, feito em parte com o auxílio de bombas. Engenheiros disseram que o conserto da estação pode levar seis meses. A Liga Árabe acusou Israel de estar punindo coletivamente o povo palestino pelo seqüestro do cabo Shalit.

- Esse tipo de lógica não é aceitável - disse o secretário-geral da Liga, Amr Moussa.

Horas depois do início da ofensiva, o governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), sob o comando do grupo radical Hamas, indicou sua disposição de trocar, por mulheres, menores, velhos e doentes mantidos em cadeias de Israel, o militar israelense seqüestrado no domingo numa ação reivindicada por três organizações.

A oferta da ANP foi apresentada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Taher Nunu, em carta a países árabes, aos quais pediu apoio a uma solução negociada. Um dos grupos que reivindicam o seqüestro de Shalit são as Brigadas Izzedin al-Qassam, braço-armado do Hamas - os outros dois são o Comitê de Resistência Popular (CRP) e o Exército do Islã.

O Hamas argumenta que a ofensiva "não vai garantir a libertação do seqüestrado" e responsabilizou o governo israelense pelo destino do cabo, tentando forçar uma retirada das tropas.

- A vida do soldado depende da decisão do governo do Estado de Israel de continuar ou pôr fim à sua ofensiva na Faixa de Gaza - afirmou o vice-primeiro-ministro Nasseredin al-Chaer, pedindo ao mesmo tempo que seja poupada a vida do militar, o primeiro seqüestrado desde 1994.

A situação pode se agravar com o suposto seqüestro de outro colono israelense: Noah Moskovitch, de 62 anos, desaparecido desde domingo, e que seria refém dasBrigadas dos Mártires de Al Aqsa - grupo armado ligado ao Fatah.

O premier da ANP, Ismail Haniyeh, acusou Israel de tornar as coisas mais difíceis ao ordenar a entrada de tropas em Gaza.

- Ressaltamos que a ocupação deve deter a escalada a fim de não complicar a situação e piorar a crise - alertou Haniyeh.

Mas a ofensiva israelense não se deteve à Faixa de Gaza. Na Síria, aviões israelenses fizeram vôos rasantes sobre o palácio de Assad, em Latakia, causando protestos do governo. O governo de Israel acusa a Síria de acobertar terroristas de todo tipo, como o líder do Hamas no exílio, Khaled Meshaal, que vive em Damasco. Ele é acusado de ter planejado o seqüestro do soldado Shalit, o que o grupo nega.

O presidente sírio estava no palácio na hora da ação intimidatória israelense, que causou várias explosões de rompimento da barreira do som de manhã cedo. A artilharia antiaérea síria chegou a ser acionada e teria atirado contra os aviões israelenses.

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