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Oficiais de segurança afirmam que 44 pessoas morreram em evento religioso em Meron, no norte de Israel
Oficiais de segurança afirmam que 44 pessoas morreram em evento religioso em Meron, no norte de Israel| Foto: Ishay JERUSALEMITE/Behadrei Haredim/AFP

O tumulto que terminou com a morte de pelo menos 45 pessoas e deixou 150 feridos no Monte Meron, na Alta Galileia, em Israel, terá repercussões políticas em um momento de grande incerteza após a inconclusiva eleição de março, a quarta em dois anos.

O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, até agora não teve sucesso em formar uma coalizão governamental. O prazo para que ele costure uma aliança acaba na terça-feira. Se falhar, seus rivais políticos terão a chance de tentar formar uma aliança que pode excluí-lo do poder.

Netanyahu há muito confia em poderosos partidos ultraortodoxos como aliados e precisará do apoio deles se quiser manter vivas as esperanças de permanecer no cargo.

Durante a visita que fez ontem ao Monte Meron, o premiê foi vaiado por dezenas de manifestantes religiosos que culpam o governo pela tragédia. Se o descontentamento se espalhar, isso certamente pode prejudicar ainda mais as perspectivas de Netanyahu.

A tragédia também ameaça aprofundar uma forte reação pública contra os judeus ultraortodoxos. Netanyahu foi muito criticado no ano passado por permitir que a comunidade ultraortodoxa desprezasse as diretrizes de combate à crise sanitária.

O primeiro-ministro permitiu a abertura de escolas e sinagogas e a realização de funerais em massa, tudo que estava vetado para os demais cidadãos. A comunidade ultraortodoxa está entre as mais atingidas pela doença em Israel.

Gideon Rahat, cientista político da Universidade Hebraica e bolsista do Instituto de Democracia de Israel, disse que, nos próximos dias, haverá uma batalha sobre a responsabilidade pelo trágico evento.

Netanyahu pedirá a unidade nacional, enquanto seus oponentes dirão que ele não está mais apto para permanecer no cargo e é hora de mudanças. "Há uma batalha no enquadramento, quem é ou não o culpado", disse Rahat. "Já vemos os sinais disso."

De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde de Israel, as reuniões públicas continuam limitadas a, no máximo, 500 pessoas. No entanto, a imprensa israelense disse que Netanyahu garantiu aos líderes ultraortodoxos que as comemorações ocorreriam mesmo com o risco de uma superexposição dos participantes ao vírus, apesar das objeções das autoridades de saúde pública. A assessoria de imprensa de Netanyahu não respondeu aos pedidos de entrevista para comentar o caso.

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