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Imigração

Itália inicia verificações em viajantes provenientes da Espanha após suspender acordo Schengen

Primeira-ministra Giorgia Meloni disse que crise na Espanha afeta segurança da Itália (Foto: EFE/EPA/ANGELO CARCONI)

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A Itália começou a implementar verificações aleatórias em viajantes provenientes da Espanha em aeroportos e portos marítimos neste sábado, após a decisão do governo de Giorgia Meloni de suspender temporariamente o Acordo de Schengen devido à crise migratória em Ceuta.

No Aeroporto Fiumicino de Roma, que recebe uma média de 55 voos diários da Espanha durante a temporada de verão, a EFE confirmou a implementação dessas verificações, coincidindo com a chegada de voos comerciais de cidades como Madri, Barcelona e Málaga.

Agentes da Polícia Estadual italiana solicitaram documentos de identificação ou passaportes de passageiros provenientes da Espanha, tanto cidadãos da UE quanto de fora da UE, no momento do desembarque, para verificar sua nacionalidade. Um viajante espanhol confirmou à EFE que seu documento foi solicitado duas vezes na ponte de embarque que liga a aeronave ao terminal.

Os agentes italianos também realizaram verificações de documentos mais seletivas antes que os passageiros deixassem o aeroporto, especificamente na área pública onde os viajantes normalmente aguardam após a retirada de bagagens.

Alguns desses viajantes disseram à EFE que a solicitação de documentos causou pequenos transtornos na saída do aeroporto, embora alguns tenham concordado com a medida.

A decisão do governo italiano, decorrente da crise migratória de Ceuta e adotada sob o pretexto de "proteger a segurança nacional", consiste em verificações seletivas de cidadãos de países terceiros que chegam da Espanha para garantir que possuam a documentação adequada para viajar dentro do Espaço Schengen.

Somente em casos de irregularidades ou suspeitas os passageiros "serão submetidos a verificações adicionais", segundo a imprensa italiana.

A suspensão do acordo de Schengen com a Espanha é temporária e deve permanecer em vigor durante todo o mês de agosto, no auge da temporada turística de verão. De fato, a própria primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou ontem que será dada "atenção especial" para garantir que essas verificações não impactem o fluxo turístico.

E a líder italiana voltou a se referir à crise migratória de Ceuta neste sábado para exigir "a urgência de uma resposta europeia à imigração irregular", em uma mensagem na rede social X.

Meloni, juntamente com sua homóloga dinamarquesa, Mette Frederiksen, divulgou hoje uma carta assinada por outros 22 países europeus solicitando à liderança da União Europeia uma reunião de ministros do Interior para coordenar o fortalecimento das fronteiras externas.

"Este é um sinal importante: a posição que a Itália defende há muito tempo é agora partilhada por um número crescente de nações europeias. Defender as fronteiras externas da União não interessa a uma única nação. É uma responsabilidade partilhada por toda a Europa", afirmou Meloni na sua mensagem.

A fronteira entre Marrocos e Ceuta, cidade autónoma espanhola no Norte de África, voltou à normalidade após uma crise sem precedentes que eclodiu na passada quinta-feira, quando mais de 60.000 migrantes entraram irregularmente no enclave espanhol, num incidente que resultou também em pelo menos 67 mortes. 

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