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O governo brasileiro manifestou indignação com as novas informações divulgadas sobre a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes em Londres e vai mandar uma equipe à cidade para tratar do caso. Jean Charles, que tinha 27 anos, foi assassinado pela polícia britânica no dia 22 de julho. Os policiais confundiram o brasileiro com um terrorista que teria participado dos atentados frustrados no metrô de Londres no dia 21.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores afirma que "as mais recentes notícias, acompanhadas de imagens de forte impacto, relativas às circunstâncias trágicas que resultaram na morte do cidadão brasileiro Jean Charles de Menezes agravam o sentimento de indignação do governo brasileiro".

Na segunda-feira, o governo brasileiro vai enviar a Londres dois representantes: o subprocurador-geral da República e corregedor-geral do Ministério Público Federal, Wagner Gonçalves, e o diretor-adjunto do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça, Márcio Pereira Pinto Garcia.

Os dois vão se reunir com representantes da Comissão Independente sobre Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês) e com o subchefe da Polícia Metropolitana de Londres, John Yates, além de outras autoridades britânicas. "É expectativa do governo brasileiro obter amplos esclarecimentos, inclusive a respeito das notícias recentemente veiculadas pela imprensa", diz a nota do Ministério das Relações Exteriores.

A imprensa brasileira divulgou nesta semana documentos e fotos de investigação sigilosa vazados sobre a morte de Jean Charles, que mostram diferenças da versão oficial da polícia de Londres.

Em 25 de julho, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, encontrou-se na capital britânica com o secretário (ministro) do Exterior da Grã-Bretanha, Jack Straw. Amorim manifestou, na ocasião, "o choque e a perplexidade do governo brasileiro", diz a nota do ministério.

Documentos policiais que vazaram e foram obtidos pela ITV News contrariaram a versão da polícia de que o brasileiro usava um casaco pesado, onde poderia ter escondido uma bomba, e que teria corrido dos policiais após ter sido abordado.

De acordo com a reportagem, testemunhas e policiais relataram que, ao entrar na estação de metrô de Stockwell, Jean Charles vestia uma jaqueta leve. Ele caminhou calmamente, pegou um jornal de distribuição gratuita e só correu na hora de pegar o trem.

Ao tomar conhecimento dessas novas informações, os advogados da família de Jean Charles pediram a demissão do chefe da polícia de Londres, Ian Blair, acusando-o de ter obstruído o inquérito sobre o caso.

Inicialmente, Blair dissera que o incidente estava relacionado às investigações sobre os ataques frustrado de 21 de julho e que Jean Charles não obedeceu às ordens para parar.

Os advogados também acusam Blair de ter escrito ao Ministério do Interior pedindo uma investigação interna sobre a morte de Menezes, em vez de entregar o caso à IPCC.

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