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Internacional

Jovem deixa emprego em Paris para ver o papa e entrar em mosteiro

Papa Leão XIV em momento de interação com fiéis da igreja católica.
Papa Leão XIV em momento de interação com fiéis da igreja católica. (Foto: Fábio Frustaci/EFE)

LOURDES, França — O fervor excepcional que marcou a visita do papa a Paris — a primeira etapa de sua jornada apostólica à França de 25 a 28 de setembro — não deve dar sinais de diminuir em Lourdes, onde dezenas de milhares de fiéis devem se reunir ao redor da famosa gruta de Massabielle quando Leão XIV vier rezar ali na noite de 26 de setembro, antes de uma missa ao ar livre no prado do santuário e da tradicional procissão de velas no dia seguinte. Entre eles estará uma jovem de 27 anos que participará ao lado de um grupo de freiras cistercienses, esperando que a visita confirme o chamado à vida contemplativa que ela tem sentido desde que retornou à fé durante a crise da COVID-19. Não é coincidência que Yohanna, uma intérprete de linguagem de sinais para surdos, tenha escolhido Lourdes para marcar este novo começo após anos de voluntariado com pessoas com deficiência. É a algumas dezenas de quilômetros daqui, na Abadia de Sainte-Marie de Boulaur, um dos bastiões da renovação monástica na França, que sua vocação tomou forma. E é para se juntar a esta comunidade como aspirante que ela deixou seu emprego em Paris, bem a tempo de não perder a visita do Santo Padre. Sua história reflete um movimento geracional mais amplo na França, onde os batismos de adultos atingiram um novo recorde este ano, impulsionados em grande parte por jovens adultos.

Mas a história de Yohanna é um testemunho singular da graça divina. Colocada em um lar adotivo aos 4 anos de idade, ela cresceu longe de qualquer prática religiosa em uma vida marcada desde cedo pelo luto e pela solidão. Como tantos de sua geração, ela primeiro foi buscar respostas nos movimentos espirituais próximos à Nova Era que florescem entre os jovens franceses — uma exploração que deixou sua marca, literalmente, nas tatuagens que ela ainda carrega. Ela evoca essas andanças hoje com um sorriso em vez de arrependimento, pois foi através delas, ela acredita, que eventualmente encontrou seu caminho de volta a Deus. Esse caminho se abriu na primavera de 2020, em uma residência universitária esvaziada pelo primeiro lockdown da COVID-19. "Todos os estudantes tinham ido embora, e parecia um pouco o fim do mundo", ela recordou. "Eu não tinha nada; eu não tinha ninguém. E de repente havia esse pensamento de Deus que tomou conta de mim. Fiquei realmente ansiosa para saber mais sobre ele." Ela começou a aprender a rezar através de recursos online e rapidamente fez da oração parte de sua vida diária. Uma vez que o lockdown foi suspenso, ela desenvolveu o gosto de entrar em cada igreja que encontrava para rezar sozinha, enquanto evitava as missas, já que não conhecia nenhum dos costumes. O ponto de virada veio em 2023, quando ela se mudou para Paris e entrou em uma igreja em um dia de semana, justamente quando uma missa estava começando. "Eu nem sabia que havia uma consagração, embora seja o coração da missa católica. Mas passei toda aquela celebração chorando no fundo da igreja", ela lembrou. "E no final eu disse ao Senhor: OK, eu entendi. Agora quero te dar tudo, realmente tudo, toda a minha vida. Faça o que quiser comigo. E a partir daquele momento, tudo mudou." Depois de se estabelecer em uma paróquia no 10º arrondissement de Paris, ela realizou um período de formação catequética e recebeu o sacramento da confirmação. Durante a Peregrinação Nacional a cada agosto, ela atua como intérprete para peregrinos surdos-cegos — uma experiência que transformou sua compreensão do santuário. "O verdadeiro milagre de Lourdes", ela disse, "é talvez simplesmente que todos nós acabamos juntos." Sua conversão foi seguida pelo chamado à vida consagrada quase imediatamente, mas ela estava determinada a não apressar sua decisão, tendo sido avisada de que novos convertidos "podem ser muito entusiasmados e imediatamente pensar na vida consagrada, apenas para desistir rapidamente."

Guiada por seu pároco e pelo serviço de vocações da Arquidiocese de Paris, ela começou a discernir com irmãs apostólicas, sendo a vida claustral a última coisa em sua mente. "Dado o meu histórico pessoal, eu tinha enormes clichês sobre a vida monástica", ela disse. "Eu imaginava todo tipo de coisas antiquadas." Foi no meio de um ano universitário difícil, no final de dezembro de 2024, que ela foi pela primeira vez à abadia cisterciense de Boulaur, simplesmente porque "sempre ouvi dizer que os mosteiros eram um bom lugar para descansar e tomar um pouco de ar". Ela voltou a cada feriado desde então. Quando as irmãs lhe ofereceram uma estadia dentro da clausura, ela aceitou com o pensamento de que isso apenas confirmaria seus preconceitos. "Pensei que entrar na clausura pela primeira vez me ajudaria a entender que este não era meu caminho de forma alguma, e isso resolveria a questão", ela disse. "Mas quando experimentei a clausura pela primeira vez, foi incrível. Senti-me completamente no meu lugar." "O Senhor nos conhece melhor do que nós mesmos", ela continuou. "Às vezes ele nos leva a coisas que a princípio parecem absurdas, e depois você percebe que se encaixa perfeitamente." No Jubileu da Juventude de 2025 em Roma, ela encontrou a Igreja universal pela primeira vez entre milhares de jovens "tão diferentes uns dos outros, e todos ali pelo Senhor". Essa experiência agora molda suas expectativas para a visita de Leão a uma França que testemunha números recordes de batismos de adultos. Refletindo sobre a próxima visita do papa a Lourdes, que o bispo Jean-Marc Micas de Tarbes e Lourdes descreveu como a de "um simples peregrino", ela disse: "O Papa Leão sabe o que está acontecendo em nosso país, e tenho certeza de que suas palavras nos ajudarão em nosso caminho." O programa oficial já inclui uma oração especial pela França, pedindo à Virgem Maria a renovação das famílias cristãs e o florescimento das vocações, "especialmente sacerdotais e religiosas." A própria vocação de Yohanna inicialmente alarmou seus pais adotivos. Mas diante de sua perseverança e alegria, eles concordaram em levá-la a Boulaur eles mesmos, dando-lhes a oportunidade de conhecer as irmãs e descobrir a vida que ela está se preparando para abraçar. De lá, eles viajarão juntos para Lourdes para a visita do papa. "Será uma chance para eles conhecerem as irmãs e verem o que um mosteiro realmente é, não apenas o que as pessoas imaginam", ela disse. "Isso já é um grande passo." Seu aspirantado, o primeiro passo no longo caminho para o noviciado, deve durar até junho. Ela disse que seu coração está "completamente aberto" para o que isso revelará. "Se Deus me chamar lá, ficarei tão feliz que oferecerei a ele um grande sim, com todo o meu coração."

©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: From foster care to Lourdes: Young convert leaves job to see pope, embrace monastic life https://www.ewtnnews.com/world/europe/from-foster-care-to-lourdes-young-convert-leaves-job-to-see-pope-embrace-monastic-life

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