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Tecnologia

Jovens deixam estudos para criar apps

  • PorMATT RICHTEL
  • 16/03/2014 21:01
Michael Hansen, Ryan Orbuch e William LeGate (da esq. para a dir.); Michael e Ryan desenvolve-ram o Finish, aplicativo contra o hábito de adiar tarefas | Benjamin Norman para The New York Times
Michael Hansen, Ryan Orbuch e William LeGate (da esq. para a dir.); Michael e Ryan desenvolve-ram o Finish, aplicativo contra o hábito de adiar tarefas| Foto: Benjamin Norman para The New York Times

Ryan Orbuch, então com 16 anos, empurrou sua mala até a porta de casa e enfrentou a família. "Estou indo ao aeroporto", disse à mãe. "Você não pode me impedir." Ryan estava a caminho da South by Southwest Interactive, uma conferência de tecnologia em Austin (Texas). Lá, planejava divulgar o Finish, aplicativo que havia desenvolvido com um amigo que servia para ajudar as pessoas a pararem de procrastinar e que acabava de deixar o primeiro lugar na categoria "produtividade" da App Store, da Apple.

Stacey Stern, a mãe dele, adorava essa paixão do filho, mas lhe disse que só poderia ir a Austin se terminasse os deveres escolares que havia negligenciado durante o desenvolvimento do aplicativo, que serve justamente para combater a procrastinação. Ryan não cumpriu sua parte, mas mesmo assim ela o deixou viajar.

Ryan, agora com 17 anos, está no último ano do ensino médio em Boulder. É um dos muitos adolescentes com mentalidade empreendedora e habilidades tecnológicas seriamente empenhados em fazer negócios. Seu trabalho ocorre graças a ferramentas gratuitas ou baratas para o desenvolvimento de games e aplicativos e é estimulado por empresas de tecnologia e por adultos do setor.

Essa onda de inovação e empreendedorismo juvenis parece "sem precedentes", segundo Gary Becker, economista da Universidade de Chicago e ganhador do Nobel. Seu neto Louis Harboe, 18, é amigo de Ryan —que, em comparação a Louis, já começou tarde. Ele fez seu primeiro frila aos 12 anos, desenhando a interface de um game para iPhone. Aos 16, Louis, que mora com os pais em Chicago, fez um estágio de verão na área de design da Square, empresa de pagamentos via internet e celular, em San Francisco. Ganhava US$ 1.000 por semana.

Becker anda repetindo ao seu neto: "Faça faculdade, faça faculdade". Mas a ideia do "faça agora", evangelizada em um púlpito digital, pode parecer mais imediata.

"A faculdade não é pré-requisito", disse Jess Teutonico, que dirige a TEDxTeen, versão adolescente das palestras TED, que promove o intercâmbio de ideias. "Essa garotada está motivada a conquistar o mundo. Ela precisa disso rápido. Precisa agora."

A questão de fazer faculdade ou não é apenas uma das que colegiais como Ryan e Louis e suas famílias enfrentam. Outras incluem: o que você faz com US$ 20 mil quando tem 15 anos? E como fica o controle dos pais?

Stern, que foi uma aluna nota dez, formada pela Universidade Duke, na Carolina do Norte, disse: "As coisas costumavam ser lineares. Você ia a uma boa escola e arrumava um bom emprego". Agora, disse, "não há regras".

Ryan estava estudando para as provas finais do décimo ano do ensino fundamental, em dezembro de 2011, quando pensou: eu queria que houvesse algo que me ajudasse a parar de procrastinar. Aí, procrastinou desenhando a imagem de um aplicativo para afazeres.

Enviou por SMS a imagem rudimentar para seu sócio, Michael Hansen, seu conhecido desde o sétimo ano. Em março daquele ano, quando ambos estavam com 15 anos, "já tínhamos nosso boneco", disse Ryan. Em junho, Michael estava escrevendo milhares de linhas de código usando a linguagem de programação Objective-C, que ele aprendeu pela internet. Ryan refinou a concepção e jogou na rede.

Dias depois do seu lançamento, em 15 de janeiro de 2013, o aplicativo de US$ 0,99 havia sido baixado 50 mil vezes. Os meninos racharam US$ 30 mil.

Só que Ryan antes era um aluno que quase só tirava nota A. No período que antecedeu ao lançamento, teve quatro notas Bs e duas Cs.

O neto de Becker arrumou seu primeiro trabalho aos 12, criando o design de um quebra-cabeça. O criador do jogo perguntou qual seria o cachê de Louis. Ele não fazia nem ideia. "Ahn..." Louis se lembra de ter travado. "US$ 150?" "Ele falou: que tal um pouco mais, porque eu gosto mesmo de você?" Louis ficou com US$ 350. Ele logo arrumaria vários outros frilas desse tipo e passaria a receber ofertas por e-mail de empregos em tempo integral, inclusive com interesse do Mozilla e Spotify quando ele tinha 14 anos.

Logo depois de concluir o décimo ano, foi contratado pela Square. Lindsay Wiese, porta-voz da empresa, disse o programa de estágio da Square foca "o talento, não a idade" e busca líderes "como Louis".

Para o garoto, o dinheiro se acumulava, cerca de US$ 35 mil ao todo, a maior parte do qual ele gastou em computadores e acessórios. Nada em uma poupança para a faculdade.

Em San Francisco, Louis viu gente de tecnologia que não havia feito faculdade, ou que havia largado, e estava se dando bem na vida real. De volta a Chicago, o pai dele sugeriu que Louis se candidatasse a uma vaga na Universidade Carnegie Mellon. Ele se lembra de ouvir o filho dizer: "Você quer que eu vá para onde —para Pittsburgh?".

Em junho, Louis participou da Conferência Mundial de Desenvolvedores da Apple, em San Francisco. Um ano antes, a Apple reduziu de 18 para 13 anos a idade mínima para a participação na conferência. Louis foi um dos cerca de 150 estudantes a receber gratuitamente um ingresso que custaria cerca de US$ 1.600.

Outros alunos ganhadores, segundo a Apple, incluíam Puck Meerburg, agora com 14 anos, da Holanda, que já lançou dez aplicativos. Ele deu uma palestra TEDx aos 11 anos. Lenny Khazan, 15, que cursa o nono ano em Woodmere (Nova York), já fez vários aplicativos e colabora com adolescentes do mundo todo, incluindo um em Cingapura e outro em Ohio. Uma bolsista em 2013 foi a alemã Larissa Laich, atualmente com 18 anos, que já lançou seis aplicativos. Ryan também foi à conferência e, para economizar dinheiro, dividiu com Louis um quarto no hotel Best Western. Foi a primeira vez que eles se encontraram pessoalmente, e Louis via Ryan com certa admiração.

"Todo dia ele tinha alguma reunião com algum executivo da Apple ou dizia: ‘Preciso ir nesse troço da Bloomberg’", disse Louis. "Ele é incrível em fazer networking." Danielle Strachman, diretora do programa Thiel Fellowship, também ficou impressionada. "Adoro a energia do Ryan!", disse ela.

O Thiel anualmente distribui bolsas de US$ 100 mil a 20 jovens para que impulsionem suas inovações ou empresas. Entre os semifinalistas deste ano está Ryan. Os ganhadores serão anunciados em junho.

O Thiel não diz que a faculdade seja ruim para todos, apenas que ter diploma não blinda as pessoas do tumulto econômico. Os jovens com talento e ideias devem "malhar enquanto o ferro está quente", disse Strachman. Hunter Walk, sócio de uma firma de investimentos chamada Homebrew, admitiu que pode haver o risco de que se exagere o sucesso tecnológico precoce. "Você começa a fazer as mesmas perguntas que faz a respeito das crianças estrelas em Hollywood. O auge delas é aos 17?"

Ao se inscrever para a bolsa Thiel, Ryan escreveu: "Tenho medo de que meus pais estivessem certos quando queriam que eu me focasse completamente na escola, mas acredito profundamente que fiz a coisa certa".

Ryan também se candidatou a 11 faculdades. Suas notas, porém, caíram ainda mais. Enquanto isso, ele e Michael vão adiante com o Finish.

Louis está comprometido com a faculdade, em parte depois de testemunhar a experiência de amigos no mundo profissional. "As postagens deles no Facebook são todas sobre trabalho", afirmou. "A vida deles não parece tão interessante. Eu quero me divertir", disse Louis. "Ainda me sinto criança —tipo assim."

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