O julgamento por fraude fiscal contra o jurista russo Serguei Magnitski, que será realizado, apesar de sua morte na prisão em 2009, foi adiado para 28 de janeiro porque os advogados da família se negaram a participar, indicou o tribunal.

"O processo foi adiado para 28 de janeiro, porque os advogados dos acusados não se apresentaram na audiência desta quinta-feira", indicou à AFP o serviço de inprensa do tribunal Tverskoi, onde o processo deveria ter começado.

Serguei Magnitski, um conselheiro fiscal que assessorava o fundo de investimento ocidental Hermitage Capital, morreu em uma prisão de Moscou em novembro de 2009 depois de 11 meses de prisão preventiva.

O jurista havia sido detido em 2008 acusado de fraude fiscal.

Em um primeiro momento havia denunciado uma maquinação financeira de 5,4 bilhões de rublos (130 milhões de euros), preparada, segundo ele, por autoridades da polícia e da administração fiscal em detrimento de seu empregador e do Estado russo.

Mas Magnitski acabou sendo acusado de fraude fiscal pelos mesmos funcionários que denunciou, segundo Hermitage, e inclusive depois de morto continua sendo alvo de acusações perante a justiça.

William Browder, presidente da Hermitage Capital, é acusado no mesmo caso.

"Não tenho nenhuma razão para participar de atividades anticonstitucionais", declarou à AFP o advogado da família de Magnitski, Nikolai Gorojov, que não foi à audiência desta quinta-feira.

"O Tribunal Constitucional russo explicou que a retomada de uma investigação sobre uma pessoa morta só é possível com o objetivo de reabilitá-la. A família de Magnitski não havia pedido para a investigação ser reativada. Isso ocorreu por iniciativa do procurador-geral adjunto Viktor Grin, que participou da acusação", explicou.

O caso Magnitski provocou um escândalo nas relações entre Moscou e Washington.

No dia 14 de dezembro, as autoridades americanas promulgaram uma lei que proíbe a entrada nos Estados Unidos e prevê a apreensão dos bens dos cidadãos russos envolvidos na morte do jurista, ou em outras violações dos direitos humanos.

A Rússia respondeu com uma lei que proíbe os cidadãos americanos de adotar crianças russas e prevê a elaboração de uma lista de cidadãos dos Estados Unidos e outros estrangeiros indesejáveis na Rússia.

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