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Santiago (AFP) – O ex-presidente peruano Alberto Fujimori continuará detido no Chile, uma vez que o juiz Orlando Álvarez negou ontem o pedido de habeas-corpus formulado por seu advogado. O governo peruano prepara o pedido para sua extradição. Fujimori, de 67 anos, enfrenta em seu país várias denúncias por assassinatos, desaparecimentos e corrupção durante seu governo (1990 – 2000). Ele havia pedido o habeas corpus na segunda-feira, depois de ser detido preventivamente durante a madrugada na capital chilena. Mas o juiz Álvarez estimou que a "prisão preventiva" pedida pelo governo peruano do presidente Alejandro Toledo deve continuar até chegarem ao tribunal os antecedentes complementares que fundamentarão um pedido formal de extradição para o país vizinho.

O propósito de manter a prisão de Fujimori é "dar um prazo ao país requerente para que apresente seu pedido de extradição", o qual pode se estender por até 60 dias, segundo o juiz. O advogado chileno Juan Carlos Osorio e o jurista peruano César Nakasaki, encarregados da defesa de Fujimori, podem recorrer à Corte Suprema para insistir no habeas-corpus.

Empenho

O chanceler peruano, Oscar Maúrtua, declarou a uma rádio de Quito que o governo "se antecipará na questão do pedido de extradição, que é tão importante para o Peru e para a comunidade internacional". Fontes judiciais explicaram que o processo será "abreviado" e poderá ser concluído antes do fim do ano, em função das novas normas processuais vigentes no Chile há cinco meses.

Essa rapidez coincide com os desejos do governo do presidente chileno, Ricardo Lagos, que não quer acrescentar um novo elemento conflituoso ao momento de maior tensão diplomática dos últimos anos com o Peru, por conta da demarcação da fronteira marítima entre ambos os países. O Peru aprovou no sábado a lei "de domínio marítimo", que, do ponto de vista chileno, deslocaria para o sul o limite peruano para ocupar 35.000 km2 de mar territorial.

A cela de Fujimori na Academia de Oficiais Penitenciários, ao sul de Santiago, contrasta com as luxuosas dependências do Hotel Marriott, onde ele havia se instalado na tarde de domingo para planejar sua volta ao Peru e lançar sua candidatura à Presidência nas eleições do próximo 9 de abril. Agora, Fujimori está numa pequena habitação de 9 metros quadrados, com uma cama, um móvel para guardar sua roupa, um receptor de rádio e uma televisão.

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