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Imagem da transmissão da televisão estatal da Coreia do Norte mostra o que parecem ser mísseis balísticos intercontinentais durante desfile militar em Pyongyan, 10 de outubro de 2020
Imagem da transmissão da televisão estatal da Coreia do Norte mostra o que parecem ser mísseis balísticos intercontinentais durante desfile militar em Pyongyan, 10 de outubro de 2020| Foto: AFP PHOTO/ KCNA

Ryu Hyeon-woo, ex-embaixador da Coreia do Norte no Kuwait que fez parte da elite da ditadura até desertar em 2019, falou sobre a questão nuclear no regime totalitário, sua decisão de fugir do país e os temores sobre a segurança de sua família.

Em entrevista à CNN nesta semana, a primeira concedida pelo diplomata desde a sua deserção, Ryu disse que acredita que o ditador Kim Jong-un não abrirá mão de seu arsenal nuclear, mas que pode estar disposto a negociar uma redução de armamentos em troca de alívio das sanções internacionais impostas contra Pyongyang.

Ele contou na entrevista como foi a fuga da família, planejada durante um mês enquanto viviam no Kuwait. Enquanto estava levando a filha à escola, disse a ela: "Venha com seu pai e sua mãe encontrar a liberdade". A adolescente ficou "chocada", mas concordou com o plano que mudaria a vida da família. Em seguida, eles se dirigiram à embaixada da Coreia do Sul, onde pediram asilo.

A ditadura de Kim costuma castigar as famílias dos desertores, como forma de desestimular as fugas. "Qualquer pensamento sobre vê-los sendo punidos pelo que eu fiz machuca o meu coração", disse emocionado Ryu sobre os familiares que vivem na Coreia do Norte – seus três irmãos, sua mãe de 83 anos, e os pais idosos de sua esposa. Ele contou ainda que as autoridades enviadas ao estrangeiro frequentemente são obrigadas a deixar um filho no país como "refém", para garantir que os pais não desertem.

"O fato de a Coreia do Norte manter castigos familiares coletivos do tipo feudal no século 21 é espantoso", afirmou.

Ryu e sua família chegaram à Coreia do Sul em setembro de 2019, mas a fuga permanecia em segredo até a semana passada. Deserções de autoridades do alto escalão da Coreia do Norte não ocorrem com frequência. Autoridades que fugiram do regime de Kim incluem o ex-embaixador norte-coreano na Itália Jo Song-gil, que ficou desaparecido por dois anos e também buscou asilo no Sul, e Thae Yong-ho, ex-embaixador no Reino Unido que desertou em 2016. Thae foi eleito para o Parlamento sul-coreano no ano passado.

O norte-coreano tornou-se embaixador interino no Kuwait em setembro de 2017, após o país do Golfo expulsar o então enviado da Coreia do Norte, quando adotou uma resolução da ONU sobre o programa nuclear de Pyongyang. Anteriormente, ele havia sido representante na Síria, um importante aliado da Coreia do Norte, entre 2010 e 2013.

Segundo o diplomata, Kim Jong-un provavelmente acredita que as armas nucleares são a chave para a sua sobrevivência. "A energia nuclear da Coreia do Norte está diretamente relacionada com a estabilidade do regime", avaliou.

Ryu disse que as sanções internacionais impostas à ditadura norte-coreana têm impacto sobre a nação em dificuldades financeiras. "As sanções atuais à Coreia do Norte são inéditas e fortes... Eu acho que as sanções devem continuar".

Na opinião do diplomata, governos anteriores dos EUA se encurralaram ao exigir a desnuclearização da Coreia do Norte em negociações com o regime. "Os EUA não podem recuar da desnuclearização e Kim Jong-un não pode desnuclearizar", pontuou.

Para ele, a experiência do presidente dos EUA, Joe Biden, como vice-presidente do governo Obama, pode ser uma vantagem nas negociações com Pyongyang. "Com base na sua experiência na resolução da crise nuclear iraniana, não tenho dúvidas de que ele será capaz de lidar com a questão nuclear da Coreia do Norte com sabedoria", opinou Ryu.

Ryu também defendeu que a questão das violações de diretos humanos na Coreia do Norte, que em sua opinião foi deixada de lado nas negociações com os EUA, não seja abandonada. O país que alega ser um paraíso socialista é acusado de manter campos para prisioneiros políticos que abrigam mais de 120 mil pessoas.

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