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Um tribunal de Mianmar condenou Aung San Suu Kyi, líder deposta por um golpe militar, a quatro anos de prisão por incitação pública e violação das regras da pandemia. Foto de arquivo, 9 de outubro de 2018
Um tribunal de Mianmar condenou Aung San Suu Kyi, líder deposta por um golpe militar, a quatro anos de prisão por incitação pública e violação das regras da pandemia. Foto de arquivo, 9 de outubro de 2018| Foto: EFE/EPA/FRANCK ROBICHON / POOL

A líder deposta por um golpe militar em Mianmar, Aung San Suu Kyi, 76 anos, foi condenada nesta segunda-feira (6) por um tribunal especial a quatro anos de prisão por acusações de "incitação à agitação popular" e violações das regras sanitárias da pandemia de coronavírus, anunciou a junta militar que governa o país.

A sentença de Suu Kyi foi mais tarde reduzida de quatro para dois anos de prisão, após um perdão parcial concedido pelo chefe do regime apontado pela junta militar, noticiou a TV estatal nesta segunda-feira, segundo a Reuters.

Esse é o primeiro veredito entregue a Aung San Suu Kyi desde que a junta militar tomou o poder em 1 de fevereiro. Críticos descrevem os casos como "absurdos".

O presidente Win Myint também foi condenado a quatro anos de prisão. O tribunal anunciou nesta segunda-feira os vereditos de diversos casos contra líderes civis presos durante o golpe militar.

A acusação de incitação contra a líder deposta envolve uma declaração publicada por ela após o golpe, em que pede que organizações internacionais não cooperem com a junta militar. O outro caso alega que ela violou as regras sanitárias de controle da Covid-19 durante a sua campanha para as eleições do ano passado.

A alta comissária para os Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, criticou o julgamento em Mianmar, feito a portas fechadas e sem acesso a observadores, e exigiu a libertação imediata de Aung San Suu Kyi.

"A condenação da Conselheira de Estado após um julgamento fictício em um processo secreto perante um tribunal controlado por militares não é outra coisa se não motivado politicamente", disse Bachelet em comunicado.

"Os militares estão tentando instrumentalizar os tribunais para eliminar toda a oposição política", continua a alta comissária.

Bachelet informou ainda que o exército de Mianmar, conhecido por Tatmadaw, prendeu mais de 10 mil opositores desde o golpe e pelo menos 175 pessoas, incluindo muitas do partido de Suu Kyi, teriam morrido sob custódia, "provavelmente por tortura ou maus tratos".

O governo dos Estados Unidos também exigiu a libertação imediata da líder birmanesa e a devolução imediata do país sul-asiático à democracia.

Em comunicado, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, classificou a condenação de Suu Kyi como injusta e descreveu a repressão contra outros representantes eleitos como "afrontas à democracia e à justiça".

"O contínuo desrespeito do regime pelo Estado de direito e o seu uso generalizado da violência contra o povo sublinham a urgência de restaurar o caminho democrático de Mianmar", disse o chefe da diplomacia dos EUA.

Suu Kyi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, ainda enfrenta outras acusações, de corrupção e fraude eleitoral.

Caminhão militar avança contra manifestantes

Várias pessoas ficaram feridas após um caminhão militar avançar contra uma multidão que protestava em Yangon, maior cidade de Mianmar, no domingo (5), noticiou a BBC.

Testemunhas relataram à imprensa local que os soldados em seguida abriram fogo contra os manifestantes. O exército disse que prendeu 11 pessoas durante a manifestação no domingo, e não confirmou se um caminhão avançou sobre a multidão, dizendo apenas que dispersou o "tumulto".

Desde o golpe militar em fevereiro, mais de 1.200 pessoas foram mortas durante protestos em Mianmar.

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