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Viagem à Europa

Lula diz que líderes mundiais ignoraram seu pedido de reunião sobre guerra no Irã

Lula está em viagem oficial na Europa, onde participará nos próximos dias de cúpula com outros líderes de esquerda (Foto: EFE/André Coelho)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu que "ninguém deu ouvidos" quando ele pediu aos líderes da China, da Rússia e da França que convocassem uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) sobre a guerra no Oriente Médio.

Em entrevista à revista alemã Der Spiegel, publicada nesta quinta-feira (16), o petista disse que contatou Xi Jinping, Vladimir Putin e Emmanuel Macron – a quem chamou de amigos – para que eles se reunissem com o presidente dos EUA, Donald Trump, para discutir o conflito.

"Ninguém deu ouvidos. É como se estivéssemos à deriva no mar, em um navio sem capitão", disse Lula.

O petista aproveitou uma viagem oficial à Europa, onde participará de uma cúpula progressista nos próximos dias, para falar com a imprensa internacional sobre sua agenda de política externa.

O presidente brasileiro também reforçou críticas ao presidente americano.

"Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo. Precisamos colocar este mundo em ordem, mas ele está se transformando em uma gigantesca zona de guerra", declarou Lula.

Para a publicação europeia, ele voltou a defender o multilateralismo como uma "solução" em prol da paz no mundo e também responsabilizou o governo de seu antecessor, Jair Bolsonaro, por uma possível crise de fertilizantes que o Brasil pode sofrer devido à guerra.

Em uma crítica velada a Washington, Lula justificou sua posição em defesa do multilateralismo ao afirmar que a ordem "não funciona quando uma nação usa seu poder econômico, militar e tecnológico para ditar as relações internacionais".

O líder brasileiro aproveitou a oportunidade de falar ao público alemão para defender pautas antigas, como uma reforma no conselho da ONU. Para ele, é "inaceitável" que a África e o Oriente Médio não tenham um assento permanente no Conselho de Segurança.

Ao falar de gastos militares globais, Lula defendeu que esse dinheiro poderia ser melhor investido no combate à fome ou ao analfabetismo na África ou na América Latina.

Lula comenta sobre tarifas impostas ao Brasil e sugere que conquistou "respeito" de Trump

Ao ser questionado pela revista alemã se teria algum conselho para dar ao chanceler Friedrich Merz para lidar com a política de tarifas do presidente Trump, Lula diz que a universidade da vida lhe ensinou que "ninguém respeita quem não conquista o respeito por si mesmo".

Ele detalhou um encontro que teve com o líder da Casa Branca na Malásia, no final de outubro de 2025, dizendo que apelou para a idade de ambos. "Veja, eu tenho 80 anos, você fará 80 no dia 14 de junho. Nessa idade, não se brinca no cargo. Você se senta à mesa, olha nos olhos um do outro e faz o que o nosso povo espera de você", relembrou Lula sobre o diálogo que tiveram.

O petista ressaltou que, independente de diferenças ideológicas, o Brasil continuará buscando manter uma relação produtiva com os EUA. Ele acrescentou que, se Trump não quiser fazer negócios com o país, seu governo encontrará compradores em outro lugar.

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O presidente foi questionado sobre o impacto do conflito no Oriente Médio para o Brasil, citando uma possível crise no fornecimento de fertilizantes.

Em resposta, Lula disse que isso ocorre desde o início da guerra na Ucrânia e que o Brasil deveria ter impulsionado a produção nacional de fertilizantes há 20 ou 30 anos. "Em vez disso, o governo do meu antecessor - o ex-presidente Jair Bolsonaro - fechou algumas de nossas fábricas de fertilizantes. Agora estamos tentando reconstruir nossa própria indústria. Não podemos nos tornar dependentes de outros países".

O petista também falou das intervenções americanas em países da América Latina, condenando a operação de captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro. Em seguida, disse que os EUA não têm o direito de ameaçar Cuba, vista como o próximo alvo de Trump na região.

A revista questionou o motivo do governo aliado de Havana não ter enviado petróleo em um momento crítico para a ilha. Lula responder que isso ocrre porque as ações da Petrobras são negociadas em Wall Street.

"Nossas relações com Cuba são tão boas que os cubanos nos sinalizaram: Lula, não faça nada que prejudique o Brasil. Estou pronto para ajudar Cuba com medicamentos e alimentos para aliviar a crise humanitária. Devemos ajudar Cuba a se tornar independente do petróleo", disse.

Lula fala sobre eleições no Brasil e diz que está "100% em forma"

Ao falar sobre eleições, o petista disse estar "100% em forma" para uma possível candidatura à reeleição em outubro.

Questionado sobre as pesquisas que apontam uma vantagem de Flávio Bolsonaro, Lula declarou que não tem medo do resultado e que sua base vencerá o pleito e garantirá que "nossa democracia se torne ainda mais estável".

Ele acrescentou que "não há lugar para fascistas" e para pessoas que não acreditam na democracia. "Essa ideologia de direita que domina o mundo não tem futuro. Em vez de ideias, ela só espalha ódio e mentiras", afirmou.

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