
Ouça este conteúdo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai se encontrar com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, da ala socialista do Partido Democrata, na próxima semana na cidade dos Estados Unidos.
O encontro será na segunda-feira (21). Segundo informações de bastidores, a reunião foi solicitada por Mamdani. Ela deve ser realizada na residência do embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese, local onde Lula ficará hospedado em Nova York.
Além de serem de esquerda, o presidente brasileiro e o prefeito nova-iorquino têm em comum as desavenças com o mandatário americano, Donald Trump, e com Israel, que acusaram de cometer genocídio na guerra contra o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza.
Mamdani afirmou em julho que estava cogitando ordenar a prisão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu caso este viaje a Nova York para a Assembleia Geral da ONU, onde Lula fará o discurso de abertura do debate de líderes de governo e Estado na terça-feira (22).
O primeiro-ministro de Israel tem contra si um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), por acusações de supostos crimes de guerra e contra a humanidade na guerra em Gaza, atualmente em cessar-fogo. Israel e os EUA não reconhecem a jurisdição do TPI.
Porém, dias depois, Mamdani disse não ter autoridade legal para mandar prender Netanyahu e pediu ao governo federal para que cumprisse o mandado da corte de Haia – possibilidade descartada pela gestão Trump, que recentemente iniciou uma campanha para “desmantelar” o TPI.
Dias depois, o partido conservador Likud, de Netanyahu, colocou uma imagem de Mamdani junto de inimigos de Israel em uma propaganda para as eleições gerais de outubro.
Nos outdoors, Mamdani aparece ao lado do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e do secretário-geral do grupo terrorista Hezbollah, Naim Qassem. “Eles querem que Netanyahu perca; não deixe que eles vençam”, diz a mensagem da propaganda.
Em agosto do ano passado, o governo de Israel anunciou que as relações com o Brasil estão sendo conduzidas em “um nível diplomático inferior”, depois que a gestão Lula não concedeu a permissão (chamada de agrément) ao indicado para ser embaixador israelense em Brasília, o diplomata Gali Dagan.
No anúncio, o governo de Israel acusou o Brasil de adotar uma “linha crítica e hostil” desde os ataques do Hamas em outubro de 2023 que desencadearam a guerra, postura que “se intensificou a partir do momento em que o presidente Lula comparou as ações de Israel às dos nazistas” na guerra na Faixa de Gaza, alegou a gestão Benjamin Netanyahu.
Israel havia declarado o presidente brasileiro persona non grata em fevereiro de 2024 em razão dessas declarações e o acusou de antissemitismo.
Por ora, Lula não tem marcada uma reunião com Trump na próxima semana. Os dois presidentes se encontraram três vezes: em setembro de 2025, quando se “esbarraram” na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e tiveram uma conversa rápida e informal; no mês seguinte, durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) em Kuala Lumpur, na Malásia; e em maio deste ano, na Casa Branca.







