Presidente interino Nicolás Maduro, da Venezuela, saúda os apoiadores de sua candidatura à presidência do país, durante um comício realizado em Cumana, no estado de Sucre| Foto: Palácio de Miraflores/Reuters

Desestabilização

Venezuela divulga dois áudios de uma suposta conspiração salvadorenha

Agência Estado

O governo da Venezuela divulgou ontem os áudios contendo o que qualificou como provas de uma conspiração de mercenários salvadorenhos para tumultuar o ambiente político no país às vésperas da eleição presidencial para escolher o sucessor de Hugo Chávez.

O ministro de Interior de Venezuela, general Néstor Reverol, informou em mensagem transmitida pela televisão estatal do país que "uma fonte fidedigna" fez chegar ao governo dois áudios nos quais dois homens falam sobre um plano de desestabilização.

Os participantes das conversas gravadas são identificados como o deputado Roberto D’Abuisson e o ex-coronel David Koch, ambos salvadorenhos.

Segundo Reverol, o governo venezuelano já havia identificado a entrada no país de dois grupos de mercenários oriundos de El Salvador, um dos quais estaria sob orientação de Koch, que, por sua vez, receberia instruções de D’Abuisson.

Em um dos áudios, é possível ouvir o homem identificado como Koch dizendo que "o grupo está trabalhando na rua, com o povo, para desorientar o voto".

A outra pessoa, supostamente D’Abuisson, pede cuidado antes de acrescentar: "Lembra que já ofereceram também o apoio se ganharem, e isso nos é conveniente".

Ontem, D’Abuisson defendeu-se das acusações. "Não tenho nada a dizer a pessoas que fazem declarações falsas e mentirosas", disse ele a jornalistas.

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Às vésperas da eleição presidencial na Venezuela, o presidente interino Nicolás Maduro anunciou um aumento no salário mínimo, em mais uma manobra de campanha a cinco dias da eleição no país. Maduro disputa a presidência com outros seis candidatos, mas as intenções de voto são encabeçadas por ele e pelo líder da oposição, Henrique Capriles.

A notícia foi dada ontem por Maduro em ato diante do Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano. De acordo com o presidente interino, o reajuste ficará entre 38% e 45%, e será aplicado em três etapas, de maio a novembro.

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Segundo o jornal El Uni­versal, de Caracas, em maio entrará em vigor a primeira parte do aumento, que elevaria o salário mínimo dos atuais 2.047 bolívares para 2.456 bolívares, um reajuste de 20%. A segunda etapa acontece em setembro, quando o aumento aplicado será de 10%, levando a remuneração básica dos trabalhadores a 2.702,04 bolívares. O aumento será concluído em novembro, quando o porcentual aplicado será de 5% a 10%, de acordo com a inflação no período.

Maduro participou ontem de um ato em apoio à sua candidatura que reuniu milhares de trabalhadores em Caracas, capital venezuelana. Com camisetas vermelhas, cor do partido governista, eles seguiram em marcha da Avenida Libertador até o Palácio de Miraflores, onde o presidente fez seu pronunciamento.

Além do aumento do salário mínimo, foram feitos outros anúncios dirigidos à classe operária, que incluiriam construção de moradia, serviços gratuitos de saúde e educação para as crianças.

"Porque o comandante Chávez me deixou para proteger a classe trabalhadora e os mais pobres", afirmou Maduro em discurso, remetendo ao seu antecessor, Hugo Chávez, morto em março.

O presidente interino anunciou ainda que o escritório de Chávez no Palácio de Miraflores "será transformado em um museu histórico que honrará a Revolução Bolivariana e o comandante Hugo Chávez". A decisão será um ato de "justiça com a história", acrescentou Maduro, que detalhou que, caso ganhe a eleição de domingo, seu escritório em Miraflores "estará situado em outra ala do Palácio".

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Os venezuelanos participarão da eleição presidencial no próximo domingo. Capriles voltou a pedir que a população vá às urnas "para cuidar dos votos", depois de denunciar o uso de recursos públicos e o acesso a urnas eletrônicas pelo governo para beneficiar seu candidato.

Em desvantagem de até 18 pontos, segundo pesquisas eleitorais, o opositor garantiu que "a luta não terminou", e prometeu para as próximas horas "muitos rumores" que vão acirrar a disputa.

Plano

Governo venezuelano fecha fronteira com a Colômbia por segurança

Agência Estado

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O governo da Venezuela anunciou ontem o fechamento de sua fronteira com a Colômbia e informou que proibirá reuniões públicas como parte de um plano de segurança com vistas à eleição presidencial de domingo.

A cinco dias da votação, as autoridades venezuelanas publicaram no diário oficial do país resoluções com as medidas de segurança, que incluem o aquartelamento da polícia, a suspensão temporária dos portes de armas para civis e a proibição à venda de bebidas alcoólicas.

Somente o fechamento da fronteira com a Colômbia passou a vigorar ontem. As demais medidas entrarão em vigor na sexta-feira e serão mantidas até a próxima segunda-feira, um dia depois da eleição. "Foi fechada a fronteira pelos Estados de Zulia, Táchira, Apure e pelo sul de Guaiana", anunciou o general Wilmer Barrientos, chefe do comando estratégico das Forças Armadas, em pronunciamento na televisão estatal venezuelana.

Os estados citados fazem fronteira com a Colômbia. Medidas similares foram aplicadas em eleições passadas. De acordo com o texto da resolução assinada pelo ministro de Interior da Venezuela, general Néstor Reverol, a medida visa a "resguardar a inviolabilidade das fronteiras e prevenir atividades de pessoas que possam representar ameaça à segurança da república".

O presidente interino, Nicolás Maduro, ordenou a abertura de uma investigação de um caso de agressão a opositores do governo.

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