ASSUNÇÃO - O governo do Paraguai informou no sábado que o assassinato de uma chefe de alfândega em Cidade do Leste, cidade paraguaia que faz fronteira com o Brasil, em Foz do Iguaçu, no Paraná, foi executada por integrantes da máfia que tenta impedir a formalização do comércio na região. Foi um "crime executado por integrantes da máfia, como reação à luta contra a corrupção, o contrabando e a limpeza que estamos realizando em todas as esferas do Estado", disse no sábado o presidente paraguaio, Nicanor Duarte Frutos, em uma entrevista coletiva concedida à imprensa.

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A funcionária, Yolanda Benítez, era administradora de um terminal de contêineres em um porto de Cidade do Leste, principal centro comercial do país, situado a cerca de 350 quilômetros de capital paraguaia e frequentemente qualificado com um núcleo de contrabando e falsificação.

Segundo informações da polícia, a administradora vinha da capital quando um dos atacantes interceptou a caminhonete onde viajava junto com três outras pessoas, e fez disparos com armas de grosso calibre.

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Benítez foi atingida por três tiros na cabeça e morreu na hora na noite de sexta-feira, enquanto seus acompanhantes ficaram ilesos. Os responsáveis pelo assassinato não foram detidos ou identificados.

- Quero expressar o meu repúdio a este crime e o compromisso de dispor de todos os meios ao nosso alcance para a captura dos assassinos e o castigo aos autores intelectuais do crime. Chegaremos até o refúgio das organizações mafiosas - disse o presidente paraguaio.

O assassinato aconteceu em meio a uma briga pela retenção na alfândega de Cidade do Leste de cerca de um milhão de CDs importados, que foram apreendidos em meados de 2004 devido à falta de documentos que comprovassem a legalidade da mercadoria.

Um fiscal da cidade responsabilizou na sexta-feira a Diretora Geral da Alfândega, Margarita Díaz de Vivar, por ter se negado a liberar a carga, depois de um mandato judicial que ordenava a restituição da mercadoria a seus proprietários.

Meios de comunicação locais disseram que a funcionária assassinada levava consigo documentos relacionados ao caso quando sofreu o atentado.

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- Estamos tocando no coração da máfia - disse Díaz de Vivar.

Duarte Frutos demonstrou preocupação "pela atuação de juizes e fiscais que se tornam, com suas decisões, entregadores de mercadorias falsificadas" e anunciou a troca de todos os fiscais que trabalham na região.

Cidade do Leste manteve durante anos um sistema de triangulação de mercadorias, que começou a decair desde a entrada em vigor do Mercosul, o bloco comercial formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, há 14 anos.

Os produtos entram por meio de contrabando no território paraguaio e são transportados, também de forma clandestina, até os países vizinhos. Números extra-oficiais indicam que o contrabando na região movimenta cerca de US$ 300 milhões anuais.