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Soldado dispara em frente a pôster com o retrato de Bashir Gemayel, na HQ "Valsa com Bashir" | Reprodução
Soldado dispara em frente a pôster com o retrato de Bashir Gemayel, na HQ "Valsa com Bashir"| Foto: Reprodução

As estimativas mais conservadoras dizem que 800 pessoas morreram no massacre de Sabra e Chatila. Centenas de mulheres, crianças e idosos que estavam no campo de refugiados palestinos no Líbano durante a invasão israelense de 1982 foram assassinados por antigos rivais do grupo libanês Falange, que tiveram a entrada no local liberada pelas Forças Armadas de Israel. Grupos independentes dizem que o número de mortos ultrapassa 1.500. Por mais que militares israelenses não tenham agido diretamente no massacre, o então ministro de Defesa do país, Ariel Sharon, é visto pela comunidade internacional como o principal responsável pelas mortes.

Pouco tempo depois de Israel invadir o Líbano, em junho de 1982, as forças israelenses cercaram Beirute. Um acordo de cessar-fogo foi negociado dois meses depois, permitindo que uma força internacional, incluindo soldados norte-americanos, entrasse na cidade - o que fez com que os soldados da Organização pela Liberação da Palestina deixassem a região.

O presidente do Líbano, Bashir Gemayel, foi assassinado no dia 14 de setembro. No dia seguinte, Israel enviou tropas na parte oeste de Beirute, onde cercaram os dois campos de refugiados palestinos. Sharon permitiu que milicianos do partido Falange, inimigo histórico dos palestinos, entrassem no campo para "limpar" o que chamou de "dois ou três mil terroristas que ficaram para trás".

Bashir era filho de Pierre Gemayel, fundador do partido libanês Kataeb, mais tarde conhecido como Falange. O grupo foi criado em 1936 como uma organização de jovens paramilitares cristãos maronitas. Gemayel pai teria se inspirado em organizações fascistas a que assistiu durante as Olimpíadas de Berlim. Era uma organização autoritária e centralizada.

Julgamento

A comunidade internacional condenou a ação israelense, e até mesmo dentro do Estado judeu houve protestos contra o governo de Menachem Begin, cobrando um inquérito judicial. Uma comissão presidida pelo presidente da Suprema Corte de Israel, Yitzhak Kahan, decidiu que oficiais israelenses foram "indiretamente responsáveis", porque permitiram que inimigos mortais dos palestinos entrassem nos campos e continuassem lá mesmo depois de receberem relatos das atrocidades que estavam sendo cometidas.

Uma comissão internacional julgou que, pela lei internacional, Israel foi diretamente responsável, porque os campos estavam sob sua jurisdição como força ocupante do Líbano, e porque militares do país planejaram a entrada dos milicianos, evitaram que houvesse fugas de sobreviventes e não interromperam o assassinato em massa depois de saberem de sua existência.

Em 2001, a Anistia internacional e o Human Rights Watch pediram uma investigação de Sharon por seu papel nos massacres.

Na época, Sharon foi forçado a abandonar o cargo de ministro da Defesa, mas acabou se tornando primeiro-ministro do país e nunca foi julgado pelos massacres. Em 2001, durante uma campanha eleitoral, Sharon expressou pesar pela "terrível tragédia" em Sabra e Chatila, mas negou qualquer responsabilidade.

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