Sem fronteiras

Para ONG, profissionais que deixam a África não precisam quarentenar

Estadão Conteúdo

Os Médicos Sem Fronteiras afirmaram ontem que os profissionais de saúde que retornam da zona de epidemia no oeste da África não precisam ser submetidos a um período de quarentena se não apresentarem sintomas da doença.

As medidas de prevenção estão em pauta após o médico Craig Spencer ser diagnosticado com ebola dias após retornar a Nova York.

O novo paciente da doença nos Estados Unidos começou a sentir febre na quinta-feira e está sendo tratado no centro médico nova-iorquino Bellevue, um dos hospitais designados pelo governo para o tratamento do ebola.

Segundo a entidade, os médicos devem seguir à vida normal ao retornar para casa. Manter-se em quarentena por vontade própria não é necessário e nem recomendado em caso de ausência dos sintomas.

Um paciente infectado pelo vírus só está apto a transmitir a doença a partir do momento em que começa a apresentar sintomas.

Distância

Os Médicos sem Fronteiras aconselham profissionais de saúde que voltam para casa a permanecer a quatro horas de distância de um hospital com instalações adequadas para o isolamento do paciente.

Além disso, eles devem medir a temperatura duas vezes ao dia e ser vigilantes com sintomas, que geralmente incluem febre.

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Um médico da cidade de Nova York que tratou pacientes com ebola na África Ocidental foi internado ontem em uma unidade de isolamento de um hospital de Nova York, tornando-se a quarta pessoa diagnosticada com a doença nos Estados Unidos e a primeira na maior cidade do país.

Craig Spencer, de 33 anos, foi colocado em quarentena no hospital Bellevue na quinta-feira, seis dias depois de retornar da Guiné, voltando a despertar o nervosismo da população americana sobre a transmissão do vírus e abalando os mercados financeiros.

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Três pessoas que tiveram contato próximo com Spencer, que trabalha para a organização de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras, também foram colocadas sob quarentena para observação, mas todos demonstravam estar saudáveis, disseram as autoridades.

O diagnóstico de ebola na cidade mais populosa dos EUA reacendeu os temores sobre a disseminação da doença no país. Os três casos anteriores foram identificados no estado do Texas.

O pior surto de ebola já registrado matou ao menos 4.877 pessoas, podendo chegar até 15 mil, sobretudo na Libéria, Serra Leoa e Guiné, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, e o governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, procuraram reassegurar aos nova-iorquinos que estão a salvo, mesmo diante do fato de Spencer ter usado o metrô, tomado um táxi e visitado um boliche no período entre o retorno da Guiné e o surgimento dos sintomas.

"Não existe razão para os nova-iorquinos se alarmarem", disse Blasio em entrevista coletiva no hospital Bellevue. "Ter estado no mesmo vagão do metrô ou morar perto de alguém com ebola não coloca alguém em risco por si só."

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Cuomo disse que diferentemente de Dallas, onde duas enfermeiras que tratavam um paciente de ebola acabaram contaminadas, as equipes em Nova York tiveram tempo para se preparar, treinando para a possibilidade de um caso de ebola surgir na cidade.

"Do ponto de vista de saúde pública, sinto-me confiante de que estamos fazendo tudo o que devemos estar fazendo, e temos a situação sob controle", afirmou Cuomo em entrevista à CNN. "Não há razão para os nova-iorquinos entrarem em pânico ou sentirem que não tinham nada para se preocupar sobre o sistema de metrô."

Vacinas

Os testes com vacinas contra o vírus do ebola poderão ter início na África em dezembro, afirmou ontem, em Genebra, Marie-Paule Kieny, subdiretora-geral da OMS. "Estamos colocando em andamento tudo que for necessário para começar os testes nos países afetados, no mais tardar, em dezembro", disse.

México e Cuba se unem para combater vírus Cidade do México

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Agência Estado

O governo do México informou que irá ajudar a equipar os membros das brigadas cubanas enviadas ao epicentro da epidemia de ebola na África. O montante disponibilizado, disseram autoridades à Associated Press, será de US$ 1 milhão. A Secretaria de Relações Exteriores do México publicou um comunicado no qual informa que a contribuição financeira será feita por meio da Organização Mundial da Saúde (OMS), de forma que os equipamentos tenham "os mais elevados padrões técnicos diante das características do vírus". Cuba enviou mais de 200 médicos e enfermeiros à Libéria, Guiné e Serra Leoa, sendo o país que mais disponibilizou profissionais de saúde para combater a doença nesses países. Diante de um pedido da Organização das Nações Unidas (ONU) e da OMS, Cuba se comprometeu a enviar 461 profissionais de saúde para apoiar o combate ao ebola.