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Miguel Díaz-Canel é confirmado como sucessor de Raúl Castro

Díaz-Canel, 57, se tornará oficialmente o líder da ditadura cubana, embora na prática Raúl deva manter o poder do país

  • São Paulo
  • Folhapress
Raúl Castro (à esquerda) e Díaz-Canel (à direita), que recebeu 603 dos 604 votos possíveis na sessão  | ISMAEL FRANCISCO/AFP
Raúl Castro (à esquerda) e Díaz-Canel (à direita), que recebeu 603 dos 604 votos possíveis na sessão  ISMAEL FRANCISCO/AFP
 
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A Assembleia Nacional de Cuba confirmou nesta quinta-feira (19) Miguel Díaz-Canel como o sucessor de Raúl Castro no comando da ilha.  

Ele recebeu 603 dos 604 votos possíveis na sessão que começou às 9h locais (10h de Brasília).  

Atual primeiro vice-presidente, Díaz-Canel foi indicado na quarta (18) para ocupar o cargo de presidente do Conselho de Estado, cargo que representa o chefe de Estado e de governo de Cuba. Ele será a primeira pessoa de fora da família Castro a comandar o país em quase 60 anos.  

Com isso, ele se tornará oficialmente o líder da ditadura cubana, embora na prática Raúl deva manter o poder, já que se continuará no comando do Partido Comunista Cubano (até 2021) e das Forças Armadas —postos que de fato ditam a política na ilha. A expectativa, portanto, é que Díaz-Canel siga sob o comando do general.  

Em seu discurso, o novo presidente disse que Raúl segue como líder da revolução e que pretende manter a continuidade do governo.  

“Afirmo a esta assembleia que o companheiro general do Exército Raul Castro Ruiz, como primeiro secretario do Partido Comunista de Cuba, encabeçará as decisões de maior transcendência para o presente e o futuro da nação", disse ele. "O mandato dado pelo povo a esta legislatura é dar continuidade à revolução cubana em um momento histórico crucial, que será marcado por tudo que devemos avançar na atualização do modelo econômico", continuou em sua fala para a Assembleia.  

Díaz-Canel indicou ainda que pretende manter as diretrizes estabelecidas por Raúl também na relação com os outros países. "A política exterior cubana se manterá inalterável".  

"Cuba não Faz concessões contra sua soberania e independência, não negociará princípios nem aceitará condicionamentos. Jamais cederemos ante pressões ou ameaças. As mudanças que sejam necessárias serão decididas soberanamente pelo povo cubano", afirmou ele.

Leia também: Castro deixa o poder: algo muda em Cuba para nada mudar

A Assembleia também definiu os outros nomes que farão parte do Conselho de Estado entre eles o do novo primeiro vice-presidente, Salvador Valdés, e o dos outros cinco vice-presidentes: Ramiro Valdés, Roberto Tomás Morales, Gladys María Bejerano, Inés María Chapman e Beatriz Jhonson. Todos, incluindo Diáz-Canel, terão um mandato de cinco anos.  

Perfil

Aos 57 anos, Díaz-Canel é parte de uma geração que nasceu depois da revolução. Na nova composição da Assembleia Nacional, 87,6% também não tinham nascido quando o poder foi tomado a partir de Sierra Maestra.  

É engenheiro eletrônico de formação, mas, assim que se formou, aos 22 anos, ingressou nas Forças Armadas Revolucionárias. Serviu por três anos e voltou para a universidade, onde além de lecionar, ingressou na UJC (União de Jovens Comunistas) local. Pela UJC, foi para a Nicarágua, em 1987, durante a Revolução Sandinista. Nunca exerceu a engenharia.  

Leia também: Jovens veem com apatia transição na ditadura cubana

Quando regressou, dois anos depois, já se tornaria o dirigente da União de Jovens Comunistas de Santa Clara. Do comitê jovem, seguiu sua trajetória para o Partido Comunista, que o levaria a Havana em 2009, já como ministro da Educação Superior.  

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