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Caso Cerimedo

Milei volta a citar Lula ao falar de eleições em 2027 e prisão de ex-assessor

Relação conturbada entre os dois presidentes chegou ao auge da tensão em julho (Foto: André Coelho/Juan Ignacio Roncoroni/EFE)

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O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma entrevista neste final de semana, ocasião na qual confirmou sua intenção de concorrer à reeleição em 2027 e comentou a prisão do ex-assessor Fernando Cerimedo na Bolívia.

Ao falar à Rádio Mitre sobre o antigo consultor político, que atuou em sua campanha presidencial em 2023, o líder libertário se afastou de qualquer vínculo atual e denunciou a existência de uma campanha midiática que, segundo ele, visa afetar seu governo. Cerimedo foi detido sob acusação de tentativa de homicídio contra uma ex-namorada, a advogada Nadia Beller.

"Cerimedo é alguém que não faz parte do nosso grupo e não tem qualquer ligação conosco. Deixamos de estar associados a ele em 2023. Não vamos descartar que por trás disto esteja toda a quadrilha de Pagano [Marcela, ex-deputada do Partido Libertário], Bindi [Franco, companheiro de Pagano], Evo Morales, Castro-Chavismo, Lula... Todos fazem parte da mesma rede”, alegou Milei.

Dirante a entrevista, o líder argentino declarou ainda que o presidente Lula foi uma das "forças motrizes" por trás do que ele chamou de campanha de desinformação que acusou a Argentina de vender carne de burro.

“Nós os identificamos facilmente. Desta vez, eles agiram de forma tão descarada que ficou óbvio demais. Trata-se da quadrilha criminosa castro-chavista que opera na região e causa um verdadeiro estrago”, disse.

De olho nas eleições

Ao falar de uma possível candidatura à reeleição, Milei declarou: “Se os argentinos quiserem continuar no caminho da prosperidade, do progresso e do bem-estar, eles me elegerão. Se quiserem o outro modelo, o do declínio, serão os argentinos que decidirão se progridem ou afundam. É futuro versus passado. É progresso versus declínio. Nada além disso”.

O presidente argentino enfatizou que, se conseguir a reeleição, será um evento sem precedentes. "Nada é fácil, porque se conseguirmos a reeleição, alcançaremos um marco histórico, que é a reeleição de um presidente não peronista".

As eleições presidenciais na Argentina estão previstas para acontecer em outubro de 2027.

Crise com o governo Lula

A crise entre Milei e Lula teve início após o libertário chamar o petista de "ladrão" e o rotular de "corrupto" durante a convenção partidária do PL em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Mais recentemente, o presidente argentino reiterou seu ataque ao homólogo brasileiro.

"Ele é um ladrão, ele é corrupto, foi condenado por roubo e corrupção, foi preso, então a parte sobre ele ser um prisioneiro também é verdade", afirmou em 2 de agosto durante uma entrevista ao canal de notícias LN+.

"Não só isso: ele foi solto por erro processual, não por inocência. Portanto, ele é um ladrão e corrupto", acrescentou o argentino.

Os insultos feitos por Milei a Lula durante viagem ao Brasil levaram o governo brasileiro a convocar seu embaixador em Buenos Aires para consultas e a convocar o embaixador argentino em Brasília.

Questionado sobre essas declarações na entrevista, Milei insistiu que estava dizendo a verdade e, ao ser questionado sobre a agressividade de suas palavras, respondeu: "É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar".

Em 4 de agosto, o Brasil anunciou a redução das relações diplomáticas com a Argentina. Com isso, o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, deixou o país sem data definida para retornar à missão diplomática em Brasília.

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