Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
País dividido

Morales aposta na população indígena

A dois dias do referendo que decidirá seu futuro, o presidente boliviano enfrenta forte oposição e vê movimentos sociais divididos

Indígenas participam de desfile em comemoração aos 183 anos das forças armadas: tensão e alarde de golpe | Jorge Silva/Reuters
Indígenas participam de desfile em comemoração aos 183 anos das forças armadas: tensão e alarde de golpe (Foto: Jorge Silva/Reuters)

La Paz - O presidente da Bolívia, Evo Morales, aposta na força da população indígena do altiplano para vencer o referendo deste domingo. Ao que tudo indica, o Ocidente, que responde por 30% dos eleitores bolivianos, será fundamental para garantir a permanência do líder indígena no poder. Mas a situação de Evo Morales não é nada tranqüila. Nos últimos dias, ele teve de conviver com a pressão pela morte de dois mineiros, com mais uma greve de fome da oposição e com o cancelamento de uma viagem a Tarija devido à tensão que tomou conta do país.

Em entrevista à Gazeta do Povo, a analista política Gimena Costa lembra que nenhum presidente da era democrática, nem aqueles com 20% de votos, passou por uma situação parecida: mal pode colocar os pés em quatro dos nove estados. Para ela, a crise atual não se trata de racismo contra um presidente indígena, mas "o rechaço por um processo de destruição de instituições que se acelerou no ano passado". O caso mais grave é o do Tribunal Constitucional que, depois de uma saída em massa por conta de pressões governamentais, não pode tomar decisões por falta de quórum.

Para Gimena Costa, o presidente não conseguiu superar as práticas do passado, como o abuso de poder, o que era um pré-requisito exigido pela população. Além disso, boa parte da sociedade gostaria apenas de uma mudança importante, e não de uma revolução socialista, como anunciado por Evo Morales. Com isso, cresce a aversão à constante ligação do governo boliviano com o venezuelano Hugo Chávez e até com a presidente argentina, Cristina Kirchner.

A analista política lembra que Evo Morales não sofre a oposição apenas dos partidos tradicionais, mas até de movimentos sociais.

Apoio popular

Mas, nas ruas do centro de La Paz, Evo Morales reina absoluto. Tanto que mudou o lugar do discurso do Dia da Independência, na última quarta-feira. Tradicionalmente, a fala é realizada em Sucre, mas o presidente preferiu não ir ao estado do sul boliviano devido à pressão que enfrenta por lá.

Na capital boliviana, a funcionária pública Bete Reina ovaciona as qualidades de Morales: "Nunca vi um presidente tão limpo. Todos que nos governaram eram puros ladrões. Agora, nos sentimos bem protegidos". Um funcionário do Corpo de Bombeiro de El Alto, ao lado da capital , segue o coro: "Evo está no caminho certo. Obviamente, será ratificado no referendo".

Esse é apenas um dos muitos retratos de uma Bolívia que não parece dividida ao meio, mas em vários pedaços.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.