O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se referiu neste domingo à visita do chefe do líder político exilado do Hamas, Khaled Meshaal, à Gaza, e disse que "nas últimas 24 horas, o inimigo nos mostrou de novo seu verdadeiro rosto".

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O comentário foi feito no início da reunião do Conselho de Ministros que Netanyahu liderou e que analisou, entre outras questões, as recentes declarações do dirigente do Hamas, que chegou na sexta-feira à Faixa de Gaza pela primeira vez desde que se exilou, há 45 anos.

Em Gaza, Meshaal prometeu "libertar a Palestina" e "não ceder um milímetro do Rio Jordão até o Mediterrâneo", e para isso aposta na resistência armada e na união das facções.

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O chefe do governo israelense ressaltou que o Hamas "não tem nenhuma intenção de chegar a um compromisso" com Israel, país que só procura "destruir".

Netanyahu acrescentou que "o Estado de Israel se sobreporá ao inimigo", enquanto criticou o presidente palestino, Mahmoud Abbas, por "não condenar as declarações que chamavam à destruição de Israel, assim como não condenou os disparos de foguetes contra solo israelense".

O primeiro-ministro afirmou que Abbas "se esforça para conseguir a união com o Hamas, que como sabemos é apoiado pelo Irã".

O Executivo israelense acrescentou que "não há ilusão. Queremos uma paz verdadeira com nossos vizinhos, mas não somos cegos perante a realidade. Não cometeremos outro erro como o da iniciativa unilateral como a que levou ao Hamas ao poder em Gaza".

Quanto aos políticos e personalidades públicas que acusaram seu governo de impedir o processo de paz com os palestinos, Netanyahu afirmou: "Sempre me assombro das ilusões que as pessoas têm de que eles (os palestinos) estão dispostos a continuar este processo e o chamam de 'paz'".

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Netanyahu afirmou que "dar a eles o controle da Judéia e Samaria (Cisjordânia), só trará um resultado: uma Gaza aos arredores de Tel Aviv, Hadera e Kfar Saba (cidades israelenses)".

"Por isso - acrescentou - devemos permanecer firmes diante das pressões internacionais, e isso é o que a liderança israelense fará; se afastar das ilusões e defender os interesses de Israel".

Por sua vez, o titular de finanças, Yuval Steinitz, acrescentou que "a visita de Meshaal a Gaza nos lembra exatamente com quem lidamos. Alguns tentam iludir a população de que, se cedermos um pouco mais, a paz está logo ali".

O presidente israelense, Shimon Peres, também se pronunciou sobre a visita do líder do Hamas a Gaza.

"Meshaal revelou o verdadeiro rosto do Hamas, uma organização terrorista embebida em sangue e que traz pobreza, fome e sofrimento a seu povo", manifestou Peres durante uma conferência realizada hoje, segundo um comunicado divulgado por seu Escritório.

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Peres se mostrou favorável a apoiar o presidente palestino: "Este é o momento de decisões, não de eleições. É preciso escolher entre Gaza e Cisjordânia, entre Meshaal ou Abu Mazen (nome de guerra de Abbas). Essa é uma decisão clara que é preciso fazer".