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Décadas vividas à sombra de Darwin

  • PorJONATHAN WEINER
  • 24/08/2014 21:06
Casal britânico passou 40 anos estudando tentilhões na Dafne Menor, incluindo a ‘Grande Ave’, no alto | D. Parer and E. Parer-Cook
Casal britânico passou 40 anos estudando tentilhões na Dafne Menor, incluindo a ‘Grande Ave’, no alto| Foto: D. Parer and E. Parer-Cook

Charles Darwin passou apenas cinco semanas nas ilhas Galápagos e os biólogos britânicos Peter e Rosemary Grant pretendiam ficar no máximo alguns anos lá.

Eles desembarcaram em 1973 na pequena ilha desabitada de Dafne Menor, o cone de lava de um vulcão extinto. Vale dizer que Darwin nunca esteve por lá. Nesse lugar íngreme há somente uma exígua área plana, suficiente para armar uma barraca.

Conforme eles relatam em seu novo livro, "40 Years of Evolution" (40 anos de evolução), seus objetivos eram estudar tentilhões do gênero Geospiza —as aves que deram a Darwin alguns indícios iniciais sobre a evolução movida pela seleção natural—, e tentar reconstituir parte de sua história evolutiva. Eles, porém, fizeram uma descoberta surpreendente.

Após vários anos de estudos aplicados, os Grant e seus alunos perceberam que as dimensões dos tentilhões estavam mudando diante de seus olhos. Seus bicos e corpos evoluíam e se adaptavam de ano para ano, às vezes de maneira lenta, às vezes radical. Os pesquisadores estavam acompanhando a evolução em tempo real.

Darwin nunca sonhou com essa possibilidade. Em "A Origem das Espécies", ele escreve que embora a seleção natural ocorra em todos os lugares, "nós não vemos essas mudanças lentas acontecendo até que a mão do tempo marque a caducidade das eras".

Os Grant descobriram que o processo desvendado por Darwin era muito mais poderoso do que ele pensava. Então foram estendendo seus estudos na ilha por um tempo cada vez maior. Dafne Menor acabou sendo um teatro perfeito para observar a evolução em ação, pois sua área comportava muitas centenas de tentilhões e permitia que os Grant e seus alunos pudessem reunir, reconhecer e medir quase todas as aves.

O processo descrito por Darwin se revelava diante de seus olhos.

As origens da descoberta mais recente dos Grant remontam a 1981, quando um estranho tentilhão apareceu na ilha. Ele era um híbrido de tentilhão-terrestre de bico médio e de tentilhão-dos-cactos. Sua cabeça era grande e o corpo, robusto. Em outras palavras, era bonito, e os Grant o chamaram de a Grande Ave.

Híbridos são raros entre as 13 espécies de tentilhões-de-darwin. Como evoluíram há pouco tempo, aves dessas espécies diferentes podem se acasalar, mas geralmente não o fazem. A Grande Ave tinha um canto singular. Suas penas pretas eram muito brilhantes. Ela podia rachar as sementes duras e cheias de pontas da planta Tribulus, normalmente uma característica do tentilhão-terrestre de bico grande, assim como as pequenas sementes consumidas pelo tentilhão-terrestre de bico pequeno. Ela podia se alimentar de néctar, pólen e sementes de cacto, da mesma forma que o tentilhão-dos-cactos.

A Grande Ave se acasalou com outra de bico médio. Seus filhotes formaram um clã que apresentava os seguintes comportamentos: cantavam uma nova melodia, pousavam próximos e só se acasalavam entre eles.

A Grande Ave viveu 13 anos —um tempo longo para os tentilhões-de-darwin— e sua linhagem já soma sete gerações nos últimos 30 anos. Cautelosos acerca das perspectivas dessa espécie, os Grant escreveram: "É altamente improvável, porém não impossível, que nós tenhamos presenciado a origem de uma espécie duradoura".

Não se pode ter a expectativa de presenciar em 40 anos toda a história da evolução. Porém, quando se sabe o que procurar, é possível ver muitas coisas.

"Possivelmente, o trabalho dos Grant é o programa de pesquisa sobre biologia evolutiva mais relevante do último meio século", disse Jonathon B. Losos, biólogo evolutivo da Universidade Harvard, em um e-mail. "Ele mudou nossa compreensão sobre a evolução e a maneira de estudá-la."

Quando não estavam acampados em Dafne, eles analisavam seus dados na Universidade Princeton, onde agora são professores eméritos, em escritórios contíguos. Eles escrevem livros e dão palestras juntos.

Eu perguntei recentemente aos Grant quando se deram conta da importância de seu trabalho em Galápagos.

"Talvez tenha sido em 2007 que realmente tivemos noção", disse Peter. "Mas esse processo foi bem gradual", acrescentou Rosemary. Caso não houvessem passado tanto tempo em Dafne, eles jamais teriam presenciado esse final. "Mas podemos afirmar", disse Rosemary, "que quase tudo o que vimos em Dafne foi inesperado."

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