Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
 | Jon Krause/The New York Times
| Foto: Jon Krause/The New York Times

O Grande Colisor de Hádrons voltou à ativa em junho, esmagando partículas subatômicas com quase o dobro da energia usada para descobrir o bóson de Higgs, um marco na compreensão da composição do mundo físico.

Com o Higgs desvendado, os pesquisadores agora estão de olho em algo mais exótico: sinais de uma nova física que não só descreva o universo como também explique por que ele é do jeito que é.

Quatro forças fundamentais governam a realidade, mas por que não são 3, 5 ou 17?

A matéria é constituída a partir de uma miscelânea de partículas cujas massas diferem tanto que parecem ter sido distribuídas por um deus embriagado. O próton tem 99,86% do peso do nêutron, e ambos têm mais de 1.835 vezes a massa do elétron.

Pica-paus assumem riscos pela higiene

Os pica-paus do norte (Colaptes auratus) têm uma divisão peculiar para o trabalho doméstico. Entre essas aves, os machos são donos de casa mais dedicados que suas parceiras, segundo um novo relatório sobre seus hábitos de higiene publicado na revista “Animal Behavior”.

Leia a matéria completa

Esses valores, como todos os outros que compõem a folha de especificações do universo, parecem arbitrários demais. No entanto, se fossem ligeiramente diferentes, o universo não teria dado origem à vida inteligente, segundo os cientistas.

Rejeitando a hipótese de que isso não tenha passado de um golpe de sorte, os físicos estão à procura de um princípio subjacente —uma explicação convincente para o fato de tudo ter acontecido dessa maneira específica.

Não é assim que costumamos pensar na história humana. A cada fato os caminhos se bifurcam, e só um deles leva ao futuro. Escolha um entre a infinidade de possibilidades não ocorridas e já poderíamos estar vivendo num mundo muito diferente.

No entanto, a física não funciona assim: se um número chamado alfa, que governa a força do eletromagnetismo, fosse infimamente maior ou menor, as estrelas não poderiam ter se formado, deixando um vazio sem vida.

O valor de alfa parece algarismos gerados aleatoriamente: 0,0072973525698. Um dos maiores mistérios da física, segundo o físico Richard Feynman, consiste em “um número mágico que escapa da compreensão humana”.

Outros valores, como a massa do bóson de Higgs, ou a intensidade da força que une os núcleos dos átomos, parecem calibrados com o mesmo esmero. Bastaria mexer um pouco nos ponteiros que o nosso universo talvez não existisse tal qual como ele é.

A teoria das cordas —com suas dimensões extras e geometrias que lembram biscoitos trançados— era tão hipnotizante quando ganhou proeminência, três décadas atrás, que parecia certo ser válida. Afinal, tratava-se, depois de decifrada, de uma descrição muito bem amarrada de um universo como o nosso.

Só que a teoria das cordas descambou para outra direção, prevendo uma infinidade de outros universos, cada um com uma física diferente, mas impossíveis de serem observados —com exceção do nosso.

É possível que alguns dos outros universos tenham gerado diferentes tipos de seres conscientes, feitos a partir de outra coisa que não átomos —e todos eles tão perplexos (em alguma insondável forma equivalente de perplexidade) quanto nós.

Ou talvez o multiverso inteiro seja apenas uma forma complexa de expressar que existem infinitas maneiras pelas quais este Universo (singular e com U maiúsculo) poderia se desenrolar.

Há anos os teóricos se dividem entre aqueles que rejeitam o multiverso, por entendê-lo como “um pretexto de proporções infinitas para se esquivar”, como escreveram Natalie Wolchover e Peter Byrne no ano passado na revista “Quanta”, e aqueles que insistem que a ideia é poderosa demais para estar errada, mesmo se não houver uma forma de verificar se algum outro universo existe.

Muitos teóricos que veem o multiverso com ceticismo estão abertos, no entanto, a alguma versão da teoria das cordas que não exija uma redefinição do que é real.

Talvez exista, escondida em meio à bruma, uma equação mágica mostrando que este universo é, afinal de contas, o único que pode existir.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]