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arte & design

Fitas cassetes, VHS e outros “lixos tecnológicos” são novos instrumentos de designers

  • PorAlex Williams
  • The New York Times
  • 06/07/2015 22:00
Retrato de Jimi Hendrix feito com serpentinas de fita cassete, por Erika Iris Simmons; abajur Sony PlayStation, por Jeff Farber | Emily Berl/The New York Times
Retrato de Jimi Hendrix feito com serpentinas de fita cassete, por Erika Iris Simmons; abajur Sony PlayStation, por Jeff Farber| Foto: Emily Berl/The New York Times

No último filme de Noah Baumbach, “Enquanto Somos Jovens”, Josh (Ben Stiller) e Cornelia (Naomi Watts), membros da Geração X, tentam desesperadamente recuperar a juventude. Então, eles são surpreendidos pela decoração do loft de seus novos amigos jovens e modernos, Jamie (Adam Driver) e Darby (Amanda Seyfried).

O jovem casal exibe com orgulho uma filmoteca em fitas VHS, assim como cassetes de música. “É como se seu apartamento estivesse cheio das coisas que nós jogamos fora”, diz Cornelia, maravilhada.

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O lixo tecnológico dos anos 1980 e 1990 está ganhando segunda vida com uma nova geração de artistas, designers e nostálgicos que reinterpretam os refugos da primeira era digital como arte, decoração e joalheria.

“Chegamos ao ponto em que podemos ver uma fita VHS e perceber como era bacana”, disse Erika Iris Simmons, 31, artista de Chicago que trabalha sob o pseudônimo de Iri5 fazendo retratos de estrelas como Jimi Hendrix e Marilyn Monroe não com pincel, mas com serpentinas de velhas fitas cassete.

Para Simmons, a fita cassete lembra uma associação mais tátil que as crianças dos anos 1980 e 1990 tinham com seus gadgets.

Chris McCullough, arquiteto de Los Angeles que cria arte para seus espaços, faz retratos de ícones culturais como James Brown usando cassetes de áudio como peças de mosaico. Não apenas as fitas são baratas e abundantes, disse ele, como agradam o público de sua idade.

“As cassetes representaram o primeiro meio portátil de música que você podia compartilhar e personalizar”, disse McCullough.

Antigos periféricos do Nintendo também podem funcionar como arte —ou pelo menos como uma decoração curiosa.

Jeff Farber, 36, de Oshkosh, Wisconsin, vende abajures em estilo pop-art feitos com antigos PlayStations e Nintendo 64 em sua loja Woody6Switch, no site Etsy. Ele busca celebrar uma era em que os gadgets, mesmo os de plástico baratos, tinham certo poder de permanência.

“Quando eu era menino, a tecnologia avançava muito mais devagar”, disse Farber.

“Como um animal de estimação, você cuidava dela, e ela lhe dava alegria e entretenimento durante muitos anos.”

Certamente não falta desse tipo de material.

Enquanto o ciclo de vida dos equipamentos eletrônicos encolhe num piscar de olhos, as montanhas de lixo eletrônico continuam crescendo e deverão superar 70 milhões de toneladas neste ano, contra cerca de 19 milhões em 1990.

Uma instalação artística que deverá estrear no Museu do Brooklyn e que já foi exposta em Londres e Miami inclui 14 gabinetes antigos de games reprogramados com jogos interativos irônicos, que satirizam a gentrificação e a poluição. Ainda assim, também há nisso tudo um elemento inegável de nostalgia da Geração X.

“Ela celebra e se inspira na perda desses espaços quase sagrados que conhecemos ao crescer, nos ‘fliperamas’ dos shopping centers”, disse Patrick Miller, 39, que ajudou a criar a instalação.

“Você podia ser um herói ou um vilão nesses espaços e se transformar nos jogos antes de voltar ao mundo normal, e às vezes tedioso, da adolescência.”

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