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DIÁRIO DE ROMA

Guardas de um legado manchado

  • PorPor ELISABETTA POVOLEDO
  • 24/08/2014 21:03
A Guarda de Honra dos Túmulos Reais do Panteão vigia sepulturas de dois reis da casa de Savoia | Gianni Cipriano para The New York Times
A Guarda de Honra dos Túmulos Reais do Panteão vigia sepulturas de dois reis da casa de Savoia| Foto: Gianni Cipriano para The New York Times

Em homenagem a uma dinastia antes poderosa, a Guarda de Honra dos Túmulos Reais do Panteão há 136 anos monta guarda sobre os restos mortais dos reis da casa de Savoia, que governaram a Itália no passado.

Postados rigidamente nas laterais dos mausoléus do rei Vittorio Emanuele 2° de seu filho, Umberto 1°, seus membros deveriam guardar silêncio, mas frequentemente acabam respondendo a perguntas feitas por turistas.

Isto é, quando estão presentes. Apesar de esforços recentes para atrair membros, as fileiras da Guarda de Honra vêm se reduzindo, e com frequência os túmulos ficam sem supervisão.

Os guardas atribuem o declínio em seu número ao interesse decrescente pelos reis da casa de Savoia entre os italianos da geração mais jovem, que dizem ter esquecido valores como o patriotismo. Outros, porém, apontam para a história nem sempre estelar da antiga família real e os problemas dos herdeiros atuais, que contribuem mais para inspirar manchetes de tabloides que apreciação pelo papel da família real na Itália.

O rei Vittorio Emanuele 2°, que morreu em 1878, exerceu papel essencial na fundação da Itália moderna, e seu memorial no Panteão de Roma é dedicado ao "pai da Pátria". O mausoléu também abriga os restos de Umberto 1°, assassinado em 1900.

Mas o nome da família real foi maculado pelo fato de ela ter apoiado a ascensão do fascismo no entreguerras, e em 1938 o rei Vittorio Emanuele 3° sancionou leis que discriminavam os judeus. Ele acabou por afastar Mussolini, em 1943, mas, depois de assinar um armistício com os aliados, ele e seu governo fugiram de Roma, ocupada pelos alemães. Foram para Brindisi, na Apúlia, deixando as tropas italianas acéfalas. Em 1948, dois anos depois de os italianos terem votado pela abolição da monarquia, os descendentes homens da família real foram formalmente exilados, como castigo. O exílio foi revogado em 2002, mas a família real nunca chegou a recuperar sua reputação por completo.

Mesmo hoje, algumas pessoas que visitam os Túmulos Reais do Panteão "o fazem para nos insultar", disse o policial Giuseppe Persico, de Velletri, que cumpria um turno como guarda de honra. "Elas acham que a Itália de hoje está melhor do que era antes."

As pessoas que apreciam a Guarda de Honra tendem a passar por cima das partes menos elogiáveis da história da família real ou se sentem atraídas pelo que consideram ser os valores maiores que seriam representados pela instituição da monarquia.

"A adesão a valores como o patriotismo é atípica entre pessoas de minha idade", reconheceu o estudante de direito Carmelo Raia, 22, que viajou da Sicília a Roma para montar guarda.

A idade média dos guardas é de entre 50 e 60 anos; apenas 5% têm menos de 30. Chegou a ser formada uma guarda de honra de jovens, mas ela nunca reuniu muitos integrantes, segundo o capitão Ugo d’Atri, oficial aposentado da Marinha nomeado presidente da guarda em 2003 e que desde então se esforça para aumentar sua popularidade. Qualquer pessoa pode candidatar-se a ser guarda de honra, desde que não tenha ficha criminal e compartilhe os ideais promovidos pela instituição. Mas às vezes é difícil convencer as pessoas desses ideais.

"Vivemos numa sociedade cada vez mais global e movida pelo consumismo", disse o capitão d’Atri. "Não é um lugar onde prevaleçam sentimentos e valores fortes."

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