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Construção civil representa um nono de toda a produção econômica da China; modelos de apartamentos em Shenyang | Sheng Li/Reuters
Construção civil representa um nono de toda a produção econômica da China; modelos de apartamentos em Shenyang| Foto: Sheng Li/Reuters

Depois de quase duas décadas de crescimento, o mercado imobiliário e de construção civil na China parece estar se estabilizando, com amplas consequências para a economia do país e possivelmente para sua política.

Os preços dos apartamentos estão caindo. O volume de negócios está secando. As empreiteiras demitem trabalhadores e adiam projetos. No último sinal disso, os inícios de obras habitacionais despencaram 25% em abril em relação a um ano atrás, informou o governo no final de maio.

A questão é se a queda vai atingir outros setores da economia, notadamente o sistema bancário. Qualquer fraqueza na máquina econômica chinesa poderia repercutir em todo o mundo.

A liderança chinesa estava cada vez mais preocupada com o crescimento em níveis insustentáveis do preço da habitação e com a dependência da economia nesse setor; a construção de residências responde por um nono de toda a produção econômica do país.

Essa preocupação resultou em uma série de políticas, que incluem taxas de juros proibitivas para hipotecas de segundas residências, a proibição de compra de terceiras residências e uma ação deliberada do banco central para manter as taxas de juros de curto prazo bem acima do índice de inflação.

Os dados econômicos divulgados também mostram a desaceleração da produção industrial. As vendas no varejo também cresceram mais lentamente.

Os economistas chineses dizem que uma severa crise habitacional quase certamente causaria um aumento considerável dos empréstimos que entram em moratória nos bancos do país. Outra grande preocupação é o fato de que empresas de outros setores emprestaram dinheiro dos bancos supostamente para investimentos, mas o usaram secretamente para especular no setor imobiliário.

Outros setores da economia estão mais saudáveis e poderão ajudar a sustentar a produção econômica. Os gastos em infraestrutura continuam altos. O banco central forçou a queda do renminbi (nome oficial do yuan) em relação ao dólar nos mercados monetários neste ano, melhorando a competitividade dos produtos chineses.

Mas o problema no mercado habitacional tem sérias implicações para os consumidores. Uma pesquisa divulgada em março pela Universidade de Finanças e Economia do Sudoeste, em Chengdu, descobriu que famílias de todo o país têm 66% de seus ativos em suas casas, número que sobe para 84% em Pequim.

Com tanta riqueza amarrada na habitação, aumentam as preocupações sobre o potencial de protestos se os preços dos imóveis continuarem caindo. Descontos de 10% a 20% em relação a um ano atrás são cada vez mais comuns para residências vendidas entre particulares e para novas unidades vendidas por empreiteiras, segundo executivos do setor.

Um construtor disse que oferecer descontos nos preços das unidades restantes em projetos vendidos pela metade é difícil, porque os primeiros compradores poderiam exigir restituições equivalentes aos descontos. O empresário, que falou sob condição de anonimato, disse que o potencial de protestos, não a exposição do setor bancário ao imobiliário, "é o que preocupa".

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