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A legislação de 1965 permitiu a abertura da imigração de africanos. A nigeriana Temitope Moshood | Ozier Muhammad/The New York Times
A legislação de 1965 permitiu a abertura da imigração de africanos. A nigeriana Temitope Moshood| Foto: Ozier Muhammad/The New York Times

Ele chegou aos EUA em 1988, um rapaz de 21 anos sem escolaridade, saído do interior da província de Fujian, na China. Com uma mãozinha do mercado negro, conseguiu uma oportunidade em Chinatown, em Lower Manhattan, trabalhou em vários restaurantes e, com o tempo, conseguiu o green card.

Nos anos seguintes, o sr. Wang recebeu em Nova York vários parentes: primos, tios e tias, alguns viajando com visto familiar, outros como turistas mesmo e houve até quem pediu asilo. Houve casamentos e filhos, as raízes da família se firmando mais e mais em solo norte-americano. Agora ela chega a dezenas de membros no país, mas a maioria ainda mora nos bairros chineses.

"Perdi a conta de quantos estão aqui", diz o sr. Wang, cuidando de um wok em um restaurante chinês. Ele pediu para que seu nome completo não fosse divulgado por causa de seu histórico de imigração.

A trajetória da família Wang faz parte de um fenômeno maior que está mudando a cara da cidade: o tremendo crescimento da população chinesa nas últimas décadas. Já o segundo maior grupo de estrangeiros na cidade, os chineses estão prestes a roubar a liderança dos dominicanos.

A evolução dessa diáspora é uma das histórias de Nova York exploradas em um relatório preparado pelo Departamento de Planejamento Urbano sobre a população de imigrantes, sempre em constante movimento.

Chamado "Os Mais Novos Nova-Iorquinos", possui 235 páginas e é a quinta edição de um estudo divulgado pela primeira vez em 1992.

Hoje chegando a 3,1 milhões, recorde absoluto, a população de imigrantes da cidade — que corresponde a cerca de 37 por cento de 8,2 milhões de habitantes — está mais diversificada que nunca, em grande parte consequência da aprovação de uma legislação, em 1965, que abria as portas para pessoas originárias da África, Ásia, Caribe e América Latina. Em uma metrópole em que já predominou a ascendência europeia de seus moradores, hoje não há nacionalidade, raça ou grupo étnico que se destaque mais que os outros.

"Sem dúvida, Nova York possui a população mais diversa do que qualquer maior grande cidade do mundo por causa do fluxo de imigrantes de todas as origens", afirma o documento.

A chegada dos estrangeiros nas quatro últimas décadas ajudou a aquecer a economia municipal e a introduzir uma era de "renovação e crescimento" depois da crise dos anos 70, durante a qual se registrou uma perda de dez por cento da população.

Os dominicanos respondem pelo maior grupo de imigrantes desde 1990, atualmente com 380.200 moradores, mas os chineses, que se mantêm em segundo pelo mesmo período, já estão pertinho, com 350.200. E, proporcionalmente, a população dominicana cresceu três por cento nos últimos dez anos, enquanto a chinesa pulou para 34. A China foi também a maior fonte de imigrantes legais admitidos em Nova York de 2002 a 2011, com mais de 40 por cento recebendo asilo, diz ainda o relatório baseado nos dados do Census Bureau (o IBGE norte-americano) e administrativos municipais e federais.

"A China já começa a despontar", diz Joseph J. Salvo, do Departamento de Planejamento. "Pelos dados, o país deve se tornar a maior fonte de imigrantes em Nova York muito em breve", conclui ele.

Mesmo assim, a taxa de crescimento desse grupo não é nada em comparação a dos mexicanos. Nos últimos dez anos, ela cresceu 52 por cento, o maior salto entre os dez principais da cidade, colocando-os em terceiro, acima de guianeses e jamaicanos, com respeitáveis 186 mil representantes.

Equador, Haiti, Trinidade e Tobago, Índia e Rússia completam as dez maiores comunidades.

Queens e Brooklyn continuam a conter as maiores populações étnicas, assim como as maiores concentrações, embora o Bronx e Staten Island tenham se destacado também nos últimos anos. De qualquer forma, o Queens é o campeão, com 1,09 milhão de imigrantes, o que corresponde à metade de seus moradores.

Em relação ao efeito desses números na economia, os demógrafos afirmam que os estrangeiros representam 47 por cento de todos os habitantes empregados, mas são o grande destaque do setor de novos negócios, representando uma injeção contínua de vitalidade econômica e liderando a demanda por imóveis.

"Se a história servir de base, as oportunidades econômicas de Nova York vão continuar a sustentar o fluxo de imigração", conclui o estudo.

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