Atirador que matou quatro pessoas era um dos participantes do torneio em Jacksonville, na Flórida| Foto: MARK WALLHEISER/AFP

Marquis Williams e Taylor Poindexter inicialmente pensaram ter ouvido o estouro de um balão. Quando os estrondos continuaram, o casal e outros jogadores de videogame que participavam de uma competição durante o fim de semana reconheceram o barulho de tiros e correram para procurar uma saída. A violência repentina atordoou jogadores que participavam de um torneio do jogo Madden NFL 19, no domingo 26, em Jacksonville, no Estado americano da Flórida.

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Enquanto fugia, Williams, de 28 anos, disse ter visto a parte de trás da cabeça do atirador, que parecia estar andando para trás conforme atirava. "Não, não vimos um rosto", disse Taylor, de 26 anos. "Nós o vimos com as duas mãos na arma, andado para trás e disparando." Segundo o casal, as pessoas do local passavam umas por cima das outras, em pânico, tentando escapar. Williams e Taylor correram para um restaurante próximo, onde os funcionários acenavam do lado de dentro, e se esconderam em um banheiro até a chegada da polícia.

O xerife da cidade, Mike Williams, disse que o agressor matou duas pessoas e disparou contra outras nove antes de atirar em si mesmo. A competição era realizada em um bar que divide espaço com uma pizzaria, onde os espectadores podem assistir aos jogos online e ver os jogadores. Segundo o xerife, as autoridades acreditam que David Katz, de 24 anos, de Baltimore, foi o autor do ataque, mas sua identidade ainda não foi confirmada. O FBI auxilia na investigação em Baltimore, no Estado de Maryland.

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De acordo com xerife, Katz era um dos participantes do torneio em Jacksonville. Segundo lista da desenvolvedora do jogo, ele foi o vencedor do campeonato em 2017.

Até o momento, as autoridades não apresentaram possíveis motivações para o tiroteio. "Ninguém merece morrer jogando videogame", disse um dos competidores, Derek Jones, de 30 anos. "Nós só estamos aqui tentando ganhar algum dinheiro para nossas famílias", acrescentou. 

Ele contou que estava em um pátio, nos fundos do estabelecimento, quando ouviu os tiros. "Estou feliz por ter perdido hoje", disse. "Se eu tivesse ganhado, eu estaria naquele jogo, no bar, naquele instante, jogando o jogo e sem prestar atenção. Ele (o atirador) poderia ter vindo e eu provavelmente estaria morto agora".

Jason Lake, fundador e CEO da CompLexity, empresa dona de equipes de times de e-sports, disse pelo Twitter que um de seus jogadores, Drini Gjoka, de 19 anos, foi baleado na mão. "Eu tenho muita sorte. A bala atingiu meu dedo. Pior dia da minha vida", escreveu o próprio Gjoka na mesma rede social.

As nove pessoas feridas pelos disparos estão estáveis, disse o xerife, depois de terem sido levadas a hospitais na noite de domingo. Ele acrescentou que outras duas ficaram feridas na pressa para fugir.

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Investigação

Investigadores analisam um vídeo que pode ter capturado a cena do crime antes que o tiroteio começasse, disse a autoridade. Um ponto vermelho que parece ser um ponto de laser é visível no peito de um dos jogadores segundos antes de os primeiros disparos serem realizado.

Na noite do domingo, o FBI disse que uma equipe havia revistado a casa da família do suspeito. Agentes fortemente armados, alguns com coletes a prova de bala, foram vistos em um complexo residencial de alto padrão em Baltimore. O porta-voz do FBI Dave Fitz confirmou que agentes haviam entrado na casa do pai do suspeito.

Leia também: Por que os tiroteios em massa acontecem?

O Jacksonville Landing, que fica no coração da cidade, abriga também shows e outros eventos. O local recebeu um comício de Donald Trump em 2015, no início de sua campanha para a Casa Branca.

Para Marquis Williams, o ataque foi mais um sinal trágico de que as autoridades devem tomar medidas para conter a violência armada. "Políticos, acordem, porque as pessoas que vocês deveriam estar representando estão morrendo", disse. "Parem de ficar sentados. Parem de colecionar cheques e façam alguma coisa".

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