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Pobreza

9.297 famílias de Nova Iorque não têm onde morar. O levantamento é do Departamento de Assistência aos Sem-Teto da prefeitura.

Nova Iorque – A Nova Iorque do prefeito Michael Bloomberg bateu um triste recorde. O número de moradores de rua na cidade é o maior dos últimos 20 anos. Os dados são do Departamento de Assistência aos Sem-teto (DHS). Em maio, as estatísticas registraram 9.287 famílias sem-teto nas cinco regiões urbanas de Nova Iorque, um crescimento de 17,6% em relação a 2006. Também aumentou o número de pessoas com passagem por abrigos públicos: 11% em relação ao ano passado. E quando se leva em conta só o número de famílias que, pela primeira vez, teve que recorrer a um abrigo público, o aumento em relação a 2006 sobe para 22,9%. Também caiu em 11% o número de famílias que conseguiram sair dos abrigos e mudar-se para residências permanentes. O último relatório da Coalision for the Homeless, uma das ONGs mais atuantes na cidade, traz um dado preocupante: o número de crianças desabrigadas cresceu em relação a 2006 – 18,1%.

São estatísticas tenebrosas para um prefeito que assumiu o primeiro mandato em 2002 prometendo reduzir em dois terços o número de moradores de rua das cidade. Reeleito em 2005, Bloomberg já foi democrata, virou republicano, agora está sem partido e, se decidir concorrer à Presidência como independente, pode virar o fiel da balança nas eleições de 2008. O aumento da população sem teto, que já foi tema da revista "Newsweek" e do jornal "The New York Times", será seu calcanhar-de-aquiles.

O verão torna o problema mais visível. A cidade está repleta de mendigos, que dormem nas ruas e lotam as estações de metrô, num calor que beira os 40 graus. O prefeito anunciou um plano para subsidiar os primeiros meses de moradia daqueles que conseguirem empregos para sair dos abrigos. Mas os críticos da política social da prefeitura consideram a ajuda ineficaz.

"Os custos de habitação em Nova Iorque estão estratosféricos. O boom imobiliário deixou um rastro de milhares de inadimplentes. Este é o maior combustível para o aumento do número de pessoas sem-teto", diz Mary Brosnahan, diretora da Coalition for the Homeless.

Entre 2002 e 2005, a renda média familiar em Nova Iorque caiu 6,3% enquanto que o custo da moradia (aluguel ou prestação) aumentou em média 8,3%. E o número de moradias disponíveis para trabalhadores de baixa renda encolheu em 205 mil unidades no mesmo período. Mesmo assim, assessores do prefeito dizem que não se pode avaliar uma administração que não chegou ao fim:

"O Departamento de Assistência aos Sem-teto ainda persegue a meta de redução de dois terços do número de moradores de rua. Esta meta está prevista para 2009. E não reconhecemos este aumento do número de crianças do relatório da Coalition. Para nós, o número de crianças sem-teto foi reduzido em 16,3% nos últimos três anos", diz Eric Deutsch, do DHS.

Para alcançar a meta, a prefeitura fez um acordo com a companhia do metrô, a MTA, a fim de cadastrar e remover a população de desabrigados das estações para os abrigos municipais. Outra providência foi reforçar a assistência médica e psicológica nos abrigos, já que o alcoolismo e as drogas são elevados entre os sem-teto.

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