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O número de vítimas fatais no atentado do al-Shabaab a uma universidade no Quênia pode passar de 200. Segundo testemunhas, há mais dezenas de corpos que não foram originalmente contabilizados. O grupo extremista afirmou em comunicado, nesta sexta-feira, que matou 218 pessoas.

Foi o pior ataque no país em 17 anos. Testemunhas afirmam que, dentro da Universidade de Garissa, os militantes perguntavam qual a religião das vítimas para evitar matar muçulmanos, atirando imediatamente em cristãos. Autoridades quenianas chegaram ao local após o início da ação e montaram um cerco que durou quase 16 horas. Policiais e soldados foram diversas vezes repelidos pelos jihadistas antes de conseguir pôr fim à ação terrorista.

O al-Shabaab afirmou que o ataque foi uma retaliação à incursão queniana de 2011 ao Sul da Somália, onde o grupo opera, que desmontou várias bases dos jihadistas para criar um cordão de isolamento na fronteira — a 200 quilômetros de Garissa. Com o ataque de ontem, o governo queniano impôs o toque de recolher nas quatro regiões próximas à Somália.

Sinais do atentado

Grace Kai, uma estudante da Faculdade de Treinamento de Professores de Garissa afirmou que havia sinais recentes de que um ataque à cidade era iminente. “Alguns estranhos foram vistos na cidade de Garissa e alguns eram suspeitos de serem terroristas. Então na segunda-feira o diretor da faculdade nos contou que estranhos foram vistos na faculdade. Na terça-feira fomos dispensados para ir para casa, e a faculdade, fechada, mas o campus (da universidade) continuou funcionando, e agora eles foram atacados”.

As autoridades quenianas ofereceram 20 milhões de shillings (US$ 215 mil) de recompensa para quem oferecesse informações que levassem à prisão de Mohamed Mohamud, que supostamente teria ligações com o atentado e é descrito como o terrorista “mais procurado” do país.

Essa não é a primeira vez que o al-Shabaab seleciona não muçulmanos para a morte. Foi assim no Westgate Shopping, e em vários outras ações, como a feita a um ônibus no ano passado. Vilarejos e igrejas cristãs já foram alvo do grupo, que rompe com a convivência pacífica entre os seguidores das duas religiões no país.

Em 2009, os assassinatos indiscriminados do grupo — que não fazia distinção de muçulmanos — fizeram o grupo ser recusado pela al-Qaeda, quando a organização era comandada por Osama bin Laden. Foi só um ano após a morte do saudita no Paquistão que o al-Shabaab passou a ser oficialmente um ramo da al-Qaeda, em fevereiro de 2012.

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