Venezuelanos fogem do país pela ponte Simon Bolívar, que separa as cidades de Santo Antonio del Tachira de Cucuta, na Colômbia| Foto: GEORGE CASTELLANOS/AFP

A inflação acumulada nos 12 meses encerrados em setembro na Venezuela já atingiu 488.865% em setembro, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (8) pela Assembleia Nacional (oposicionista). A inflação diária está em 4%, enquanto a mensal subiu de 223% em agosto para 233% em setembro, diz o relatório. Para comparação, a inflação de 2018 no Brasil deve fechar o ano em 4,4% de acordo com o Banco Central – patamar semelhante à alta diária na Venezuela. 

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O FMI (Fundo Monetário Internacional) havia previsto que o índice poderia passar de 1.000.000% neste ano. Em uma revisão destes números, publicada na segunda, a instituição aumentou a previsão da inflação para 1.370.000% em 2018.

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Parlamentares da oposição se tornaram a única fonte confiável de indicadores econômicos no país depois que o Banco Central venezuelano deixou de publicar dados há cerca de três anos. "Tudo indica que esse número continuará aumentando no mês que vem. Nosso conselho ao venezuelano é que utilize o dinheiro que tem, que não o deixe no banco para que perca seu valor", afirmou Juan Andrés Mejía, deputado da Assembleia Nacional. 

Em um esforço para estabilizar os preços, o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou várias medidas em agosto, que, segundo os novos dados da oposição, não geraram o efeito esperado. Na ocasião, o governo anunciou desvalorização de 96% do valor oficial da moeda, aproximando seu preço do que já era praticado no câmbio paralelo. Ela também ganhou um novo nome e passou a se chamar bolívar soberano. 

O câmbio, assim como os salários, passaram a ser indexados a uma moeda virtual criada pelo regime, o petro, em uma medida criticada por economistas. 

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O pacote incluiu ainda um corte de cinco zeros na moeda e o aumento do salário mínimo em 3.000%. Maduro também mexeu no preço da gasolina, a mais barata do mundo, flexibilizou o câmbio e chegou a prender gerentes de supermercados. 

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 Os problemas econômicos desencadearam uma crise no país, que sofre com um desabastecimento generalizado que atinge alimentos e medicamentos. Isso levou à emigração mais de  2,3 milhões de pessoas, a maior parte para nações da região, como Colômbia, Equador e Peru – o Brasil recebeu cerca de 120 mil pessoas, sendo que metade segue no país, segundo o governo federal.  Maduro afirma que os problemas são causados pelas sanções dos EUA.

Inflação em 2019 

Nesta segunda, o FMI divulgou que estima uma inflação de 10.000.000% para a Venezuela em 2019, sete vezes mais que o índice de preços deste ano. 

"A expectativa é que a hiperinflação da Venezuela piore rapidamente, alimentada pelo financiamento monetário de um grande déficit fiscal e da perda da confiança na moeda", diz o documento. 

O fundo ainda ressalta a projeção de um quinto ano seguido de recessão, com queda de 18% do PIB este ano e de 5% em 2019. Caso se confirme, a economia venezuelana terá no ano que vem a metade do tamanho de 2013

O ano de 2013, em que morreu o presidente Hugo Chávez e o primeiro de Nicolás Maduro no comando do país, foi o último de crescimento. Desde então, a queda do preço do petróleo e decisões do governo aprofundaram a crise. 

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