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Trunfo de Obama

Para ex-embaixador, medo da guerra na Síria ajudou na reconciliação

O ex-embaixador de Israel em Ancara e ex-diretor do Ministério das Relações Exteriores, Alon Liel, credita a reconciliação aos esforços de Obama. E ao medo do agravamento da guerra civil síria, que assusta turcos, americanos e israelenses.

De acordo com o ex-embaixador, a reconciliação é resultado de alguns fatores da visita de Barack Obama e de toda a pressão que ele vinha fazendo sobre Benjamin Netanyahu e Recep Tayyip Erdogan nos bastidores.

"Já que não há novidades quanto ao processo de paz com os palestinos, era importante para Obama sair de Israel com esta vitória", diz.

Para Liel, Turquia, Israel e os EUA estão diante de uma guerra civil cujo desfecho tem fortes implicações para a região. "Todos querem derrubar o regime de Bashar al-Assad na Síria, mas têm medo do dia que isso acontecer e do que virá depois. Turquia e Israel, que são vizinhos diretos, ficarão expostos aos os efeitos do vácuo de poder em Damasco", explica.

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Acordo

Israel se desculpa com Turquia, e países reatam relações diplomáticas

Folhapress

Israel e Turquia entraram em acordo, ontem à tarde, para reestabelecer as relações diplomáticas regulares entre os dois países após um telefonema entre o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu e a sua contraparte turca, Tayyip Erdogan.

Ao telefone, Netanyahu pediu desculpas à Turquia pelos "erros operacionais", "não intencionais", que levaram à morte de nove ativistas turcos em 2010, em uma flotilha humanitária que buscava contornar o bloqueio israelense à faixa de Gaza.

A ação israelense levou, naquela época, à deterioração das relações diplomáticas entre os dois países, com a retirada de diplomatas turcos de Israel. Após os acordos de ontem, os embaixadores voltarão aos postos.

A ligação, com cerca de 10 minutos de duração, foi facilitada por Barack Obama, presidente dos EUA, que encerrou ontem sua visita a Israel depois de ter feito reiterados pedidos pelas negociações de paz no país.

De acordo com funcionários da administração Obama ouvidos pelo jornal israelense Haaretz, a ligação ocorreu no aeroporto internacional Ben Gurion e Obama esteve na linha, também, durante algum tempo.

A estabilização das relações entre Israel e Turquia é vista também como um interesse americano, já que os EUA são aliados de ambas essas potências regionais.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou-se ontem "muito preo­cupado" com a possibilidade de a Síria se tornar um enclave para o extremismo "quando" – e não se – o presidente Bashar Assad for deposto.

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A declaração foi feira durante entrevista coletiva conjunta concedida ao lado do rei Abdullah II, da Jordânia, depois de desembarcar em Amã.

Segundo Obama, a comunidade internacional deve trabalhar junta para assegurar que há uma oposição digna de confiança e pronta para assumir o comando da Síria.

"Algo se quebrou na Síria e não vai ser remontado perfeitamente imediatamente, mesmo depois da saída de Assad", disse Obama. "Mas nós podemos iniciar o processo de colocar isso numa direção melhor e ter uma oposição coesa é muito importante para isso."

Refugiados sírios

Obama disse também que seu governo trabalha para aprovar no Congresso uma ajuda adicional de US$ 200 milhões para os refugiados sírios que estão na Jordânia.

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Os problemas da economia jordaniana se intensificaram com a chegada de mais de 450 mil pessoas que fugiram da guerra civil na Síria. Os Estados Unidos já são o maior doador único de ajuda humanitária para o povo sírio.

O presidente disse que os novos recursos, se aprovados, ajudarão a fornecer mais ajuda humanitária e serviços básicos para os refugiados.

Giro

A visita à Jordânia é a última escala de um giro de quatro dias do presidente norte-americano pelo Oriente Médio. Hoje, antes de retornar a Washington, Obama deve visitar o interior da Jordânia, inclusive a cidade histórica de Petra.

Obama desembarcou em Amã ontem, procedente de Israel. No encerramento de sua visita de três dias ao Estado judeu, Barack Obama homenageou os heróis do país e as vítimas do Holocausto, reafirmando solenemente o direito de existência do Estado judeu.

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Obama foi criticado em Israel por seu discurso realizado em 2009 e no Cairo, no qual citou apenas o Holocausto como justificativa para a existência de Israel.

O presidente americano também visitou a Cisjordânia, onde defendeu um Estado palestino. Apesar do apoio à causa palestina, ele causou desconforto ao evitar uma condenação enérgica aos assentamentos de Israel em terras ocupadas. Houve protestos de palestinos.