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Jean-Yves Le Drian, ministro da Europa e Relações Exteriores da França, manifestou “preocupações sobre a deterioração da situação de segurança na Ucrânia”
Jean-Yves Le Drian, ministro da Europa e Relações Exteriores da França, manifestou “preocupações sobre a deterioração da situação de segurança na Ucrânia”| Foto: EFE/EPA/Lajos Soos

Os Estados Unidos e seus aliados manifestam preocupação com o que chamaram de “atividade militar incomum da Rússia” na região da fronteira com a Ucrânia, e pediram a Moscou esclarecimentos sobre o assunto.

Nesta sexta-feira (12), dois ministros da França, Jean-Yves Le Drian, ministro da Europa e Relações Exteriores, e Florence Parly, ministra das Forças Armadas, receberam seus homólogos russos, os ministros Serguei Lavrov e Serguei Choigu, e, segundo nota do governo francês, “expressaram suas preocupações sobre a deterioração da situação de segurança na Ucrânia e alertaram claramente sobre as graves consequências que teriam quaisquer novas tentativas de minar a integridade territorial da Ucrânia”.

Na quarta-feira (10), o secretário de imprensa do Pentágono, John Kirby, já havia destacado o receio do Ocidente por desconhecer “quais são as intenções russas”. “Obviamente, gostaríamos de entender melhor isso. E não queremos ver nenhuma ação desestabilizar ainda mais o que já é uma parte muito tensa do mundo. E instamos a Rússia a ser clara sobre suas intenções e a cumprir os acordos de Minsk (cessar-fogo na região de Donbass)”, declarou.

Um relatório publicado na semana passada pelo Ministério da Defesa ucraniano apontou uma concentração de cerca de 90 mil soldados russos perto da fronteira com a Ucrânia.

“Nossa preocupação é que a Rússia possa cometer um erro grave ao tentar refazer o que empreendeu em 2014, quando reuniu forças ao longo da fronteira, entrou em território ucraniano soberano e o fez alegando falsamente que foi provocada”, disse o secretário de estado americano Antony Blinken esta semana, referindo-se à anexação da Crimeia pela Rússia. Separatistas apoiados pelos russos assumiram no mesmo ano o controle de áreas na região de Donbass, no leste da Ucrânia, onde ainda ocorrem conflitos.

“Portanto, o roteiro que vimos no passado foi (a Rússia) reivindicar alguma provocação como justificativa para fazer o que pretendia e planejava fazer. É por isso que estamos analisando o assunto com muito cuidado”, disse Blinken, em declarações publicadas pela CNN.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, agradeceu no Facebook pelo apoio dos aliados no Ocidente. “Nossos parceiros ocidentais forneceram dados sobre o movimento ativo das tropas russas ao longo da fronteira ucraniana e o aumento de sua concentração. Acima de tudo, estamos muito gratos aos nossos parceiros por esta informação. Esta é uma prova do apoio à Ucrânia”, escreveu.

Moscou, por sua vez, negou a intenção de nova invasão à Ucrânia. “Essas manchetes não fazem nada mais do que alimentar tensões sem sentido e sem fundamento. A Rússia não representa uma ameaça para ninguém”, disse o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, segundo reportagem da Reuters.

Em um artigo para o Foreign Policy Research Institute, o militar reformado americano e especialista em assuntos militares russos Rob Lee avaliou que o objetivo principal de Moscou com essas movimentações pode ser mandar um recado ao Ocidente – a Rússia já havia concentrado tropas na fronteira com a Ucrânia este ano, em março e abril.

“Uma explicação melhor é que essa concentração foi destinada a dissuadir ações futuras da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) ou dos Estados Unidos, como um esforço renovado para permitir que a Ucrânia integre a Otan, continuar a vender armas para Kiev ou aplicar novas sanções contra a Rússia”, argumentou.

“Esta foi uma demonstração de que a Rússia poderia responder assimetricamente a políticas anti-russas adotadas pelos EUA e pela Otan, empregando força militar contra a Ucrânia.”

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