Aos prantos, membros da família de Relford e Jitmoud se juntaram aos dois em um abraço coletivo| Foto: Reprodução CNN/

Após dois anos e meio da morte de seu filho, enquanto entregava pizza, Abdul-Munim Sombat Jitmoud estava sentado em uma sala de tribunal na cidade de Kentucky. 

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O juiz iria dar a última sentença sobre o homem que foi cúmplice na morte de Salahuddin, 22. Mas antes que ele pudesse, Jitmoud chocou a todos. O pai da vítima ofereceu seu perdão a Trey Alexander Relfor, homem que declarou seu envolvimento no assassinato de seu filho. 

“O perdão é o maior presente da caridade Islã”, disse Jitmoud, 66, ao tribunal. 

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Após o gesto do pai, com lágrimas nos olhos, a juíza da cidade de Fayette, Kimberly Bunnell, pediu uma interrupção na audiência. 

Quando retornaram, Relford também pediu perdão a Jitmoud pela morte de seu filho. Enquanto o condenado secava suas lágrimas, o pai da vítima oferecia seu abraço ao homem de 24 anos. Aos prantos, membros da família de Relford e Jitmoud se juntaram aos dois em um abraço coletivo, e o público do tribunal assistiu à cena, paralisado. 

Jitmoud aconselhou a Relford para se juntar ao Islã durante o tempo que estaria na prisão.

“Não se preocupe, isso acabou. Você tem um novo capítulo em sua vida, um novo começo. Seja justo em seus atos, e você pode começar fazendo isso durante o confinamento. Quando voltar ao ‘mundo real’, após 31 anos, você estará preparado para ser uma pessoa produtiva”, disse ele. 

Na quinta-feira, o pai da vítima relatou ao The Post que Relford “ficou muito surpreso. Eu acho que a família dele não estava preparada para ouvir tudo aquilo". 

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Relford foi sentenciado a passar mais de três décadas na prisão – 31 anos por ser cúmplice em assassinato e roubo, além de tentativa de adulteração de provas. 

Relford nega a responsabilidade única pelo assassinato do filho de Jitmoud. No entanto, a advogada assistente da procuradoria, Kathy Phillips, disse ao jornal Herald-Leader que o perdão de Jitmoud "não modifica a responsabilidade". “Ele planejou o roubo, providenciou a faca, adulterou as evidências e é o único que comeu pizza após o episódio”, disse Kathy. 

Crime

Segundo as autoridades, em abril de 2015 Salahuddin Jitmoud, 22, estava entregando Pizza Hut em um apartamento em Lexington, Kentucky, quando foi roubado e brutalmente esfaqueado. De acordo com o jornal, promotores afirmaram que Relford e dois outros homens, não indiciados, chamaram vários entregadores de pizza e os perseguiram até que encontraram Jitmoud. 

Como Salahuddin era muçulmano, a comunidade religiosa de Lexington se perguntava se o assassinato era um crime de ódio. A polícia, no entanto, disse que não havia evidências de que esse era o caso. 

Abdul-Munim Sombat Jitmoud vive na Tailândia. Ele trabalhou por anos como diretor de várias escolas islâmicas nos Estados Unidos, incluindo a Lexington Universal Academy e a escola Al-Salam, em Saint Louis. Há poucos meses ele se aposentou da escola em Missouri. 

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Quando ofereceu seu perdão, Jitmoud citou ensinamentos do Corão e disse que não estava bravo com Relford, mas sim com o Diabo. 

“Eu não culpo você, eu culpo o Diabo, o qual te instruiu a cometer um crime horrível”, disse no tribunal. 

Após isso, a mãe de Relford, Gail Coote Bird, foi chamada para a mesa de testemunhas. Ela contou sobre o envolvimento de seu filho com drogas e disse que estava ciente de um acordo feito para evitar uma possível pena de morte para Relford, segundo o Herald-Leader. 

Ao The Post, Jitmoud disse que Bird o agradeceu por ter confortado sua família e que foi profundamente tocada pela bondade dele. Além disso, a mulher lhe deixou seu e-mail e disse que gostaria de aprender mais sobre o Islã. 

Quando chegou a vez de Relford falar, ele levantou-se e dirigiu-se diretamente a Jitmoud, limpando os olhos no uniforme da prisão. "Eu o aplaudo porque é preciso ser um homem poderoso que, mesmo machucado por alguém, consegue chegar lá e dizer o que você acabou de dizer. Não consigo imaginar o dano que causei, o sofrimento”, disse ele. 

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Relford finalizou: “obrigado por me perdoar”.