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Funcionários de alto escalão dos Estados Unidos e da Venezuela realizaram na segunda-feira um raro encontro, que pode abrir caminho para a visita ao país sul-americano do principal diplomata de Washington para a região.

A Venezuela, que pertence à Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), é um importante fornecedor de energia aos Estados Unidos, mas os dois países habitualmente mantêm pouco contato diplomático. Há anos não havia um encontro de tão alto escalão.

O chanceler Nicolás Maduro disse na noite de segunda-feira que manteve uma conversa "muito cordial" durante uma hora com Thomas Shannon, subsecretário de Estado para a América Latina, em Nova York, onde ambos acompanham a Assembléia Geral da ONU.

Foi o primeiro encontro entre ambos, e Shannon manifestou o interesse em visitar a Venezuela, segundo Maduro.

O presidente Hugo Chávez, que já chamou seu homólogo norte-americano, George W. Bush, de "diabo", tem no antiamericanismo um ponto central da sua política externa. Democracia, narcotráfico e comércio de armas são motivos de constantes atritos entre os dois governos.

No ano passado, diplomatas de ambos os países tentaram organizar uma visita de Shannon, mas Chávez vetou a idéia, segundo fontes das duas capitais.

Mas, em setembro, Chávez pediu publicamente ajuda a Bush na mediação que ele promove para tentar libertar reféns de guerrilheiros na Colômbia, entre os quais há três norte-americanos.

Analistas e diplomatas vêem potencial para uma reaproximação entre Caracas e Washington quando Bush deixar o cargo, em 2008, especialmente se for sucedido por alguém do Partido Democrata.

Os dois países costumam se dizer dispostos à cooperação em áreas de interesse mútuo, mas também admitem haver profundas diferenças ideológicas.

Apesar da reunião, Maduro fez na terça-feira um discurso à Assembléia Geral com duros ataques ao governo Bush, especialmente a respeito da política norte-americana "cheia de ódio e mal" no Iraque.

De acordo com o chanceler, os 610 bilhões de dólares que os EUA já gastaram naquela guerra poderiam ser usados na construção de milhões de casas, hospitais e escolas em países pobres.

Ele também criticou Washington por não extraditar o exilado cubano e ex-agente da CIA Luis Posada Carriles, acusado em Cuba e na Venezuela de ser o mentor da explosão de um avião cubano, em 1976, que matou 73 pessoas.

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